A cidade dos elevadores avariados

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Por Giovanni Ramos*

O mês é setembro e, apesar do verão estar no fim, as temperaturas ainda ultrapassam 35 graus com um sol forte a queimar a pele. Volto do supermercado com dois sacos pesados, com suor na testa e pausas a cada cinco minutos para tomar água. Caminho pela Mateus Fernandes no aguardo de entrar logo no funicular de São João. Doce ilusão…O elevador continua em seu período de avaria e o trajeto precisará ser feito Rua do Rodrigo acima…

Disseram-me que os elevadores voltariam a funcionar até o início das aulas e eu acreditei. Aliás, eu acreditava que a Covilhã era a cidade dos elevadores quando cheguei por cá, há três anos. Mal sabia que era a cidade dos elevadores avariados.

Desconfio de alguma lei que proíba os quatro elevadores de funcionar simultaneamente. Em algum momento, você precisará subir escadas. Há quem diga que isso é bom e que caminhar pelas ruas do Centro Histórico ajuda a manter a forma. Mas eu duvido que algum treinador desses locais fitness propõe caminhadas com sacos e mochilas.

Senti-me obrigado a escrever sobre esses facilitadores da mobilidade covilhanense porque não é possível alguém achar razoável os elevadores não funcionarem durante o verão. No inverno (sem chuva, claro), até é bom subir as escadas. Mas no verão tudo que queremos é uns minutos de descanso enquanto a máquina faz o seu trabalho.

FOTO: Giovanni Ramos/Viva Covilhã

Já disseram-me que os elevadores são fechados no verão porque eles ficam muito quentes dentro, de fazer inveja as saunas romanas. Mas sinceramente este argumento não faz muito sentido. Prefiro ficar dois minutos dentro de uma “estufa de calor”, do que subir dezenas de graus. O waze, aquele aplicativo de telemóvel, mostra-nos onde há congestionamentos no trânsito em tempo real. Seria necessário na Covilhã um waze dos elevadores

O waze não foi a minha única ideia maluca para a mobilidade urbana da Covilhã. Minha mente criativa já pensou numa tirolesa das residências universitárias em Santo António até o Polo Principal da UBI. O fato é que a geografia não é o forte da cidade e que ações criativas são necessárias (agora falo sério) e os elevadores são uma ótima solução, desde que funcionem.

Termino esta crónica no aguardo pelo funcionamento de todos os elevadores ao mesmo tempo. Despeço-me com uma agradecimento pela leitura, pois preciso sair e subir escadas…

* O autor é estudante de doutoramento na UBI, jornalista brasileiro e um dos criadores do Viva Covilhã. Envie sua crónica para nós: vivacovilha@gmail.com