A crónica dos bêbados da Covilhã

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Por Giovanni Ramos

É um clássico: local fechado, onde a temperatura é alta em pleno inverno, luz baixa, copos que enchem de cerveja e cidra saindo da pressão, música alta e muitas pessoas a dançar. A descrição óbvia de qualquer festa noturna.

Mas nas baladas da Covilhã, há algumas figuras que destoam do cenário. Um senhor de idade, de poucos cabelos, parece tão animado quanto os jovens, ou até mesmo mais empolgado. Ele adentra o recinto com um aparelho de som no braço e torna-se rapidamente uma das atrações da festa. Atire a primeira pedra quem nunca encontrou o Manteigueiro ao sair à noite na cidade.

Personagem quase folclórico da Covilhã, o ManteIgueiro atrai o público jovem, seja na balada, seja no Jardim Público, onde costuma chegar com seu aparelho de som, onde exibe uma variada e interessante playlist musical. Ele possui um gosto tão eclético que poderia ser chamado para ser DJ nas festas. Na verdade, ele já foi o personagem dos cartazes da Semana Académica em uma edição mais antiga.

Personagem da Covilhã, Manteigueiro está no cartaz da Semana Académica de 2013

Toda cidade ou vila que se preze possui seu bêbado de estimação. Aquela pessoa que no primeiro momento até assusta os novos moradores, mas com o tempo todos percebem que ele é inofensivo. São personagens que costumam ser aclamados por jovens, adeptos de times de futebol e, claro, viram memes na internet.

Esta crónica poderia ser uma homenagem ao Manteigueiro, o mais famoso bêbado da Covilhã, um personagem tão singular que merece um perfil. Mas ele não é o único a perambular pelo Jardim Público e pelos bares da cidade noite afora. Covilhã desfila um grupo de pessoas icónicas, dignas de grandes obras literárias boémias.

Desconfio que há um acordo entre eles para se dividir entre os bares nas quintas, sextas e sábados à noite. Não importa onde você for, em algum momento você vai se deparar com um deles. Mas quando se juntam no mesmo espaço, aí é como o título de uma das obras da escritora J. K. Rowling: Animais fantásticos e onde habitam.

É verdade que no dia da Latada, boa parte dos estudantes da UBI tornam-se esses personagens. É verdade também que os bares covilhanenses possuem um repertório de drinks, que há quem cogite a criação de uma rota de shots. Mas é nestes personagens icónicos que a identidade etílica da cidade transborda. Olhamos com curiosidade e preocupação. Sentimos mal com a situação deles, nos divertimos com as situações que eles proporcionam e ficamos preocupados quando tomamos copos a mais, pois o que todos querem é não se parecer com eles.

Portanto, nesse fim de semestre académico, uma boa festa a todos. Mas cuidem para não ser um desses personagens da sua malta.