Prejuízos

As incertezas na restauração e hotéis da Covilhã

Estabelecimentos lutam para não dispensar funcionários

As incertezas na restauração e hotéis da Covilhã
Mesmo sem quarentena, movimentação caiu no Centro da Covilhã. FOTO: Laura Gomes

Não viajar, não fazer turismo e ficar em casa o máximo possível. As medidas restritivas que vêm sendo adotadas no mundo por causa do coronavírus afetam diretamente alguns setores da economia, nomeadamente os hotéis e a restauração. As boates também precisaram ser fechadas como medida de prevenção.

Se o turismo despencou na Serra da Estrela, na Covilhã, as empresas prestadoras de serviços também contabilizam prejuízos. O Bed & Breakfast e Restaurante Paço 100 Pressa decidiu suspender as atividades até o dia 27 de março e provavelmente estenderá a medida. O proprietário João Paulo Fazenda conta que a decisão foi tomada para evitar maiores riscos para clientes e colaboradores.

Quem continuou aberto, enfrentou a falta de público. O restaurante Brasilidades já trabalhava com serviços de entrega , mas até os pedidos dos clientes foi reduzido depois do dia 12 de março. A proprietária do estabelecimento, Riane de Sá, diz que é impossível calcular os prejuízos agora.

As pessoas estão evitando até pedir comida em casa. Muitos estão preocupados com a situação financeira do país depois do coronavírus, os brasileiros preocupados com a desvalorização do Real. Foram anunciadas algumas medidas de apoio financeiro, mas ainda temos muitas incertezas, muitas dúvidas de como funcionará, comenta Riane.

Esta semana, o Governo anunciou linhas de crédito para os setores mais economicamente afetados pelo Covid-19. Serão 600 milhões de euros para a restauração e similares, 200 milhões de euros para as agências de viagem, animação e eventos, 900 milhões para os alojamentos turísticos e 1.300 milhão de euros para a indústria têxtil, calçados, vestuário, além da indústria extrativa e da madeira.

O proprietário do Paço 100 Pressa também questiona as ações do Estado. A preocupação do empresário é com a manutenção dos postos de trabalho.

As medidas de apoio do Estado são ainda confusas e não estão, aparentemente, todas divulgadas. A equipa do Paço 100 Pressa está unida e, dentro do possível, tudo farei para manter o posto de trabalho dos meus colegas, mas, no nosso caso, como em todos os outros, vai sempre depender da “longevidade” da pandemia e dos apoios que serão prestados às empresas de hotelaria e restauração, assim como da rapidez na disponibilização dos mesmos, afirma Fazenda.

Criatividade e apoio

A Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FDIP) disponibilizou no início da semana, um dos prédios da Pousada da Juventude na Serra da Estrela para o Centro Hospitalar Universitário da Cova da Beira no tratamento de infectados pelo coronavírus.

O diretor da pousada Lino Torgal explica que o prédio à disposição possui 120 camas e pode ser usado para situações como a necessidade de isolamento de um grande grupo de infectados.

As outras partes da pousada continuam funcionando, apesar da baixa procura. Torgal explica que foi preciso criatividade para combater a falta de neve durante o inverno e ampliar o turismo durante os verões. Ciente de que a pandemia impactará o turismo mesmo após ser controlada, o diretor aposta em outras iniciativas para contornar os problemas.

Giovanni Ramos

Pesquisador de media regionais, atua no jornalismo desde 2005. E-mail: web@redevivacidade.com