As Legislativas sob olhar do primeiro voto

Em uma eleição com recorde de abstenções, falar com os eleitores mais novos é fundamental

As Legislativas sob olhar do primeiro voto
Eleitores mais jovens nas Legislativas 2019

Em uma eleição com recorde de abstenções, falar com os eleitores mais novos é fundamental

Ainda faltam ser eleitos quatro deputados pelos círculos eleitorais do estrangeiro, mas enquanto os partidos conversam para a formação do futuro governo, uma preocupação deve pairar sobre toda a política portuguesa: as abstenções. Mais de quatro milhões de portugueses deixaram de comparecer, 45,5% do eleitorado.

Qual o caminho para reverter o quadro de ascensão das abstenções, que cresce desde 1979? O Viva Covilhã acompanhou durante todo o domingo as votações dos mais jovens, nomeadamente àqueles que votaram pela primeira vez nas Legislativas. Entre as conversas, uma preocupação dos jovens em serem ouvidos pelos partidos para que temas sensíveis a eles estejam em discussão.

Estudante de Licenciatura em  Solicitadoria, Carolina Pinto, 20 anos, conta que alguns partidos abordaram ela junto ao Instituto Politécnico de Castelo Branco, na unidade de Idanha-a-Nova. Falou-se de diversos assuntos como a reciclagem, mas a educação e as dificuldades que muitos estudantes passam ficou de fora.

Por exemplo, a nível de propinas. Eu acho que os partidos deveriam facilitar nesse aspecto. Há muitos jovens que não têm possibilidades de pagar propinas e é muito injusto outros com bolsa de estudos sem precisar delas. Eles (os partidos) não chamaram a atenção, comenta Carolina.

Além de não tratar de temas de interesse direto, outra reclamação dos jovens é com a forma como os partidos de comunicam. Estudante de cinema, João Pedro Oliveira Correia se interessa pela política, mas afirma que muitos da idade dele acham o tema demasiadamente sério e que há uma distância entre partidos e jovens.

Por outro lado, ele defende que os jovens se interesse mais pela política e que, se o sistema atual não os representa, é preciso mudar. “Se não concordamos com as políticas, devemos fazer as nossas. Há várias formas de movimentos cívicos para participar”, declara.

Apesar as críticas aos partidos e da alta abstenção também entre eles, há jovens que fazem questão de exercer seu direito cívico. Para Elisa Feliz, 20 anos, o voto não deve ser visto apenas como um direito, mas uma obrigação.

Para mim, como jovem e mulher, deve ser uma obrigação, pois é o futuro do país que falamos. Os partidos têm grupos de jovens que são formas de inseri-los na política. Existem formas de o jovem participar mais, afirma Elisa.

Olhar estrangeiro

O desenvolvedor de softwares brasileiro, Gabriel Beck dos Santos, 25 anos, chegou em Portugal no começo do ano para trabalhar no Fundão. Com dupla cidadania, optou por exercer o direito cívico em Portugal depois de já ter participado de eleições no Brasil.

Santos ressalta o fato de ser também um cidadão português e por isso possui obrigações cívicas com o país. Em sete meses no país, pesquisou sobre os partidos portugueses e fez a sua escolha no domingo.

O voto aqui é diferente. Por não votarmos em candidatos e sim em partidos, precisei fazer uma pesquisa ampla. Percebi que aqui eles levam as eleições mais a sério (em comparação ao Brasil). E eu percebi que alguns partidos conseguem conversar mais com os jovens, na linguagem e nos temas abordados”, explica Santos.

Legislativas em Covilhã e Castelo Branco

Vencedor nacional com 106 deputados eleitos dos 226 já confirmados, o Partido Socialista foi o vencedor também em Covilhã e no Distrito de Castelo Branco.

O PS fez 40,9% dos votos no distrito, o vencedor em sete dos 10 concelhos e elegeu três deputados. Em seguida o PSD fez 26,3% dos votos, venceu em três conselhos e elegeu um deputado. Os demais partidos não elegeram.

Em Covilhã, o PS foi o vencedor nas 21 freguesias e atingiu 44,9% dos votos em todo o concelho. O PSD fez 17,9%, o Bloco de Esquerda 13,9% e a CDU atingiu 7,7%. Também passaram de 1% a CDS (3,8%) e o PAN (2,4%).

Giovanni Ramos

Pesquisador de media regionais, atua no jornalismo desde 2005. E-mail: web@redevivacidade.com