Foto: Gerd Altmann por Pixabay

Coronavírus: turismo no interior sem razão para alarme

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Visitantes da Serra da Estrela não costumam vir de países infetados

Quem trabalha no setor turístico do interior de Portugal acompanha com atenção o avanço do Coronavírus pelo continente europeu, mas sem grandes preocupações. De acordo com o boletim da European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), divulgado na terça-feira (4), 26 casos da infeção foram registados em oito países. França e Alemanha têm juntos 18 confirmações da doença, seguidos de Itália, Reino Unido, com dois casos confirmados. Espanha, Bélgica, Suécia e Finlândia tem um caso registado.

Cidade chinesa de Wuhan regista maioria de casos

A Organização Mundial de Saúde descarta a ocorrência da situação de pandemia, mas o número de mortos chega os 427. Em todo o mundo, estão confirmados 17.383 casos de infeção pelo 2019-nCoV, a maioria na China.

Responsável por uma das maiores agências de viagem de Portugal, com loja na Guarda, Mónica Monteiro, afirma que a compra de pacotes turísticos para a região do interior, nomeadamente para a Serra da Estrela, destino bastante procurado nesta altura, foi pouco alterada. Por enquanto, nenhuma informação adicional ou alerta está sendo dado aos turistas, isto porque os chineses representam uma fasquia muito pequena de visitantes nesta região.

“Os principais visitantes da serra são os portugueses e depois o mercado brasileiro, por isso, não há motivos para alarde”, comenta Mónica.

Para o delegado de saúde do ULS da Guarda, José Valbon, embora Portugal não tenha casos suspeitos de infeção pelo coronavírus, a recomendação para quem está em contacto com os turistas deve ser seguida atentamente. A monitorização da doença e dos sintomas é fundamental na fase de contenção do nCoV.

“Nós gostamos dos turistas e quanto mais turismo tivermos, melhor. Neste momento, não há riscos e se houver, não há de ter informações embaixo da mesa. Entretanto, a baixa densidade populacional do interior contribui para dimunir a probabilidade no aparecimentos de casos”.

A Direção Geral de Saúde afirma que está organizada para conter rapidamente qualquer caso que entre em Portugal. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo da doença diz ainda que a possibilidade de importação de casos para os países da União Européia é de moderada a elevada. No entanto, a probabilidade de transmissão secundária no continente é baixa, desde que sejam cumpridas as práticas de prevenção e controlo de infeção relacionadas com um eventual caso importado.

Estatística de casos locais e importados na Europa

Segundo a Delegada de Saúde e coordenadora do ACeS Cova da Beira, Henriqueta Fortes, a doença, semelhante à uma gripe comum, pode evoluir rapidamente.

“Os pacientes podem apresentar sinais e sintomas de infeção respiratória aguda tais como febre, tosse e dificuldade para respirar. Em casos mais graves, a infeção pode tornar-se pneumonia com insuficiência respiratória aguda, falência renal e de outros órgãos e eventual morte”, explica.

As orientações da DGS são para todo o país. Em caso de contacto com caso provável ou cofirmado nos 14 dias antes do início dos sintomas, o doente deve ligar para o telefone SNS 24 (808 24 24 24) ou para o número de emergência médica nacional (112).

Cuidados simples podem ajudar:

• evitar contato próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas;

 • lavar frequentemente as mãos;

 • adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);

 • lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir.

Registos de casos por continentes

 

Jornalista com 20 anos de experiência em jornalismo televisivo no Brasil. E-mail: jornalismo@redevivacidade.com

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