Crónica a favor do erro

31 de Dezembro de 2019

Chega de 2019. O ano está a acabar e todos começam a fazer aquelas promessas para 2020. Sabe aquelas promessas vazias? Emagrecer, estudar mais, deixar de ser trouxa…EPA! Como assim, deixar de ser trouxa? É sobre isso que esta crónica vai falar…sobre ser trouxa? Não! Sobre errar.

Imagem meramente ilustrativa produzida pelo autor

O fim de ano faz com que analisemos os fatos ocorridos ao longo de 2019. Inevitavelmente, pensamos nos erros, nas asneiras e tolices, naquelas coisas que fizemos e temos vergonha de dizer por aí. Sofremos ao pensar em todas aquelas coisas erradas, ficamos nos julgando, nos chicoteando e pensando por que fomos tão idiotas em fazer tais coisas.

Ficamos tão arrependidos de coisas pequenas, coisas fúteis, que entramos no ano seguinte jurando que os erros não se repetirão. Queremos entrar no ano novo puros, corretos, pessoas íntegras, que só fazem a coisa certa. Certo? Errado!

A gente só diz que quer. A gente só diz aos outros essas coisas. Mas no fundo, sabemos que o próximo ano será como o anterior: vamos cometer erros, agir mais pela emoção do que pela razão. Aquela pessoa que pensa primeiro, que faz tudo certinho, essa pessoa não existe, é uma máscara que colocamos.

Já parou para pensar nas promessas que fazes a si mesmo no início de cada ano? Já percebeu que, muitas delas, você poderia ter cumprido no ano anterior e não o fez simplesmente porque não quis? Por que fingimos para nós mesmos? Será que esses erros são tão errados assim? Será que são mesmo erros?

Se não são erros, vamos errar. Esta é uma crónica a favor do erro como diria um colega meu que recentemente deixou Portugal. Como diria Fernando Pessoa, estamos fartos de semi-deuses. Vamos errar, vamos tomar decisões erradas, malucas, vamos arriscar, chorar, rir das asneiras que fizemos. E vamos contar tudo isso para os amigos depois na mesa do bar.

Vamos errar em 2020. Vamos àquele bar de que sempre falamos mal. Vamos chorar, vamos nos arrepender de ter feito coisas. Vamos ter muitas ressacas morais. Vamos fazer declarações fora de hora, fora de contexto, vamos passar vergonha…porque, no fim, essas coisas não são erros.

Esta crónica não é uma apologia aos erros propositais, cometidos por pessoas de mau caráter. Nem uma apologia às atitudes imorais, ilegais. Refiro-me àquelas coisas pequenas do dia-dia das que não deveríamos ter vergonha. Coisas pequenas que tornamos grandes demais.

Estive a pensar em tudo que fiz em 2019. Entre erros e acertos, entre decisões racionais e totalmente absurdas, de todas as loucuras que fiz, eu faria tudo de novo…