Cultura e patrimônio regional como diferencial turístico

Especialistas apontam cooperação e governança como fatores determinantes para o desenvolvimento do Turismo na região

Cultura e patrimônio regional como diferencial turístico
FOTO: Acervo Viva Covilhã

Especialistas apontam cooperação e governança como fatores determinantes para o desenvolvimento do Turismo na região das Beiras e Serra da Estrela

A região Centro é o principal destino do turismo doméstico em Portugal e continua a crescer. Dados relativos à atividade turística no mês de agosto deste ano, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), registraram um total de 1.060.101 dormidas na região, o que significa um aumento de 3% em relação ao mesmo período em 2018 (1.028.850), superando a média de crescimento nacional que foi de 2,6%. Entre os visitantes nacionais, as dormidas subiram em 5,2% – foram 608 mil dormidas a mais que no ano passado.

Apesar desse cenário positivo, especialistas do setor destacam a importância de aumentar a competitividade da região a partir da integração do turismo a outros setores da economia local, nomeadamente o agroalimentar. Para Helena Alves, professora da Universidade da Beira Interior (UBI) e investigadora do NECE (Research Center in Business Sciences), desenvolver mecanismos que busquem a integração dos setores agroalimentar e turístico da região das Beiras e Serra da Estrela apresenta-se como fatores determinantes para o desenvolvimento regional. “Os produtos endógenos como a história, as tradições e a cultura da região como uma mais valia na competitividade turística, possibilitando a oferta de experiências inovadoras”, ressalta.

É o que também indica Ana Capóm, doutora pela Universidade de Extremadura (UEx), em seu estudo sobre revalorização cultural e desenvolvimento de produtos turísticos inovadores, que investigou como o azeite de oliva se transformou em um produto agroalimentar e turístico na Comunidade Autónoma da Estremadura, na Espanha. Para ela, o turista, na atualidade, busca experiências novas e que o potencial turístico de um produto agroalimentar está para além de pratos confeccionados com base naquele produto, pode-se oferecer ao visitante uma viagem completa por toda a cadeia produtiva. “É muito interessante experimentar um prato baseado em um determinado produto alimentar, queijo, azeite, cereja ou qualquer outro, mas também pode ser muito atrativo para o turista conhecer como é que o produto chegou à mesa”, destaca.

Apanha da cereja no Fundão. FOTO: Giovanni Ramos/Viva Covilhã.

A pesquisadora espanhola acrescenta que, neste tipo de projeto, os agentes envolvidos devem compreender que as iniciativas levam tempo para se consolidarem e que estarão fazendo um investimento para o futuro. “Os projetos de cooperação local devem atender aos interesses de todos os agentes implicados, tendo em conta, ainda, que o objetivo maior é o desenvolvimento econômico e social da localidade. Mais empregos e maiores receitas impactará positivamente tanto no trabalho dos empresários como na vida dos residentes que também são parte do produto turístico”, conclui.

As especialistas, que participaram das III Jornadas Ibéricas de Patrimônio, Cultura e Turismo na Sociedade Digital – evento realizado no dia 18 deste mês, na UBI -, concordam que integrar todos os públicos envolvidos como produtores, autarquias e proprietários de empreendimentos de interesse turísticos locais não é tarefa fácil, e reforçam que a convergência dos esforços para uma atividade coordenada, capaz de atender aos múltiplos interesses é o desafio a ser vencido para ampliar a competitividade turística e ajudar a desenvolver a região.

Maurília Gomes

Profissional de relações públicas e de turismo. Pesquisa sobre comunicação e cultura na UBI. maurilia@vivacovilha.pt