Educação

Educação a distância ganha força na pandemia

Modalidade em expansão exige mais de professores e alunos

Educação a distância ganha força na pandemia
FOTO: Divulgaçáo

Fazer cursos online, estudar de casa, teleaulas pela internet, videoconferências. A pandemia de coronavírus mudou os hábitos da população e trouxe ao debate o papel da educação a distância. Vale a pena fazer cursos online? Quais os desafios para professores e alunos?

O princípio das teleaulas é mais antigo do que a internet, mas foi a grande rede que impulsionou a chamada educação a distância. O uso de ferramentas digitais e a possibilidade de videoconferências deram a possibilidade de uma maior interação entre professores e alunos e tornaram-se ótimas opções para quem não possuía tempo para cursos presenciais.

Estudante do mestrado em Desenvolvimento de Jogos Digitais da UBI, o motion designer Daniel Felipe é adepto da educação a distância antes da pandemia. Ele recorda de um curso de Blender, uma aplicação para animação 3D, feito todo pela internet.

O desafio de estudar em casa é entender que, de facto o tempo e atenção dedicados pra isso é tão ou mais importante do que se tivesse presencial. Presencialmente, já há várias distrações e empecilhos relativos às deslocações, clima, horários, disponibilidade. Estudar de casa vai te proporcionar melhor aproveitamento sobre tudo isso, mas vai te exigir mais foco, uma vez que a comodidade pode se tornar barreira em vez de ponte, afirma Daniel.

O estudante de doutoramento Fábio Jardelino decidiu aproveitar o tempo em casa na quarentena para um curso de Marketing online. Contente com os resultados obtidos até agora, decidiu fazer outros cursos que estão disponíveis no mercado online.

Eu tinha sim um certo preconceito sobre a eficiência, mas percebo que assim como um curso presencial, o online depende apenas da dedicação do aluno. Inclusive já me inscrevi para outros cursos online, como os que estão sendo oferecidos de forma gratuita pela universidade de Harvard, completa o estudante.

Desafio de ser professor

Se para os alunos, ter aulas à distância é um desafio, para quem está a frente das salas de aula, a situação é ainda mais desafiadora. Susana Costa leciona português para estrangeiros e inglês há 17 anos. Por causa do coronavírus, precisou se adaptar para dar aulas a distância na escola de idiomas onde trabaha.

Entre as diferenças das duas modalidades, Silvana destaca a maior interação nas aulas presenciais. Mas reforça que, nos cursos a distância, o rigor das aulas permance:

Nós temos que estar preparados para interagir, tirar as dúvidas dos alunos, igual nas aulas presenciais. Talvez, a distância exige um pouco mais dos alunos, eles precisam se interessar, se esforçar mais, afirma.

Também professor de inglês, o americano Richard Kalaydjian defende o modelo a distância, mas reforça a diferença entre cursos online com a presença de um professor em videoconferência e os cursos em que o aluno estuda praticamente sozinho:

É importante destacar que fazer um curso online sem professor e aulas por videoconferência é muito diferente de ter essas opções. Ter um professor online, conversando em tempo real com os alunos, faz toda a diferença, afirma.

Giovanni Ramos

Pesquisador de media regionais, atua no jornalismo desde 2005. E-mail: web@redevivacidade.com