Espólios do carnaval

25 de Fevereiro de 2020

Por Giovanni Ramos

Aaah, o carnaval. Um colega de apartamento perguntou para mim se na minha cidade no Brasil as pessoas estavam pulando o carnaval. Aquela tradicional imagem do Brasil: samba, futebol e carnaval. Tive que explicar que dos mais de cinco mil municípios brasileiros, Blumenau, de onde eu venho, deve ser a cidade mais anti-carnaval do país.

Sim, eu sou brasileiro. Não, eu não gosto de carnaval. E isto não é um resmungo de quem já vê os 40 no horizonte. Nem mesmo quando tinha meus 18 anos eu gostava. Da música, do ritmo, sei lá. Eu simplesmente não gosto. Nem do feriado, porque na maioria dos meus empregos, eu tinha que trabalhar nesta data.

Não gosto de carnaval e não gosto daqueles que acham que todo brasileiro tem que gostar da festa. Não, o Brasil não é só o Rio de Janeiro e muito menos aquilo que mostra nas telenovelas da TV Globo.

Sempre fui o anti-carnaval da malta, mas os tempos passaram e as coisas que acontecem hoje em dia me fazem ter que defender uma festa que eu não curto. Sim, esta crónica é também uma defesa do carnaval. Por que? Porque está na moda falar mal do carnaval, principalmente no Brasil. E o cronista, um arauto da controvérsia, precisa fazer a contestação.

Não gosto do carnaval principalmente pela música, mas gosto menos ainda de quem se considera superior por não gostar. Desgosto ainda mais de quem vem com discursos moralistas, dizendo que carnaval é só sexo e sacanagem. Por esses argumentos, eu até gostaria. Esse discurso puritano, como diria Bezerra da Silva, é aposentadoria de malandro.

O carnaval merece, sim, respeito. Não só o brasileiro. O português, o famoso de Veneza, todos. Não é apenas folia, é uma forma anárquica se se manifestar contra as chatices do dia-dia. Um jeito de provocar e rir de tudo que a gente vive. Perdoe, leitor(a), por não saber apreciar a festa. Isto aqui é um desabafo pessoal, mesmo.

Verdade que eu gostaria de conhecer o carnaval de Veneza, para matar a curiosidade, mesmo. Verdade também que o desfile deste domingo na Covilhã foi animado (assisti a live aqui do Viva), diferente da festa no sábado à noite. Verdade também que enquanto termino esta crónica, os jovens da cidade se preparam para mais uma noite de festa. Desejo boa sorte a eles, mas acho que vou dormir mais cedo.

Nem todo mundo gosta de carnaval e nem todo mundo que não gosta fala mal. E não vou terminar dizendo que todo carnaval tem seu fim. Eu também não gosto de Los Hermanos.