O futebol voltou, pero no mucho

17 de Junho de 2020

Por Giovanni Ramos

Sporting Clube da Covilhã, clube da segunda divisão portuguesa, mas que já frequentou a primeira liga, clube antigo, conhecido como Leão da Serra, que joga em um mítico estádio no alto da cidade. Foram essas as primeiras informações que tive do Sporting Covilhã em 2016, quando pesquisava sobre a cidade ainda no Brasil.

Sou daqueles fãs incondicionais de futebol, que assiste qualquer tipo de jogo. Poder ser a final da Champions League, pode ser aquele jogo amador entre bairros. Não importa, é tudo futebol. Quando cheguei a esta cidade, em 2016, já tinha decidido ir a uma partir do Sporting Covilhã, facto que ocorreu meses depois,

Era o começo de 2017 e o time jogaria contra o Leixões. Perdeu de 2 a 0, é verdade, mas isso era apenas um detalhe. Já estive no novo e moderno maracanã, mas eu gosto mesmo é de estádio pequeno, antigo, clássico. E entrar no José Santos Pinto é uma experiência única. Assistir a uma partida em companhia da Serra da Estrela, que observa cada passe, cada chute dado em campo, é algo que merecia ser destacado em uma crónica.

Sobre a volta do futebol sem torcida
FOTO: Giovanni Ramos

Já fui ao estádio também no verão, mas a sensação melhor é ir no inverno. É colocar a Serra da Estrela para jogar junto do time anfitrião, sentir os adversários sentirem a força das terras serranas. Não ganhou naquele jogo? Se eu torcesse apenas a pensar nas vitórias, não poderia ser Vasco da Gama no Brasil.

Aliás, os estádios que frequentava no Brasil, em sua maioria, eram como o José Santos Pinto: pequenos, com os adeptos muito, mas muito próximos do gramado. Já atuei como repórter de rádio em jogo do campeonato do meu estado no Brasil, com adeptos a gritar no meu ouvido contra o jogador do seu time que havia errado o chute.

O futebol voltou, depois de alguns meses parado por causa da pandemia. Voltou em Portugal, Alemanha, Espanha, vai voltar na Itália. Até no Brasil, que continua com problemas sérios com a Covid-19, vai voltar. Mas volta com estádio fechado, sem torcida, sem emoção, sem vida.

Não desdenho da emoção que um adepto tem ao ver seu time em campo, seja no Estádio, seja pela televisão. Não nego também a diversão de ver jogos do seu time nos bares, algo que precisa ser muito bem controlado agora. Mas a emoção de estar no estádio, seja no Camp Nou, seja no Santos Pinto, jamais será substituída.