Marcha contra a violência

Jovens da Covilhã saem às ruas e dizem não às agressões domésticas Cerca de 1500

Marcha contra a violência

Jovens da Covilhã saem às ruas e dizem não às agressões domésticas

Cerca de 1500 jovens de escolas e agrupamentos escolares da Covilhã e freguesias do conselho concentraram-se no Pavilhão do Anil, na manhã desta segunda-feira (25), para protestar contra a violência doméstica. Os estudantes levaram faixas e cartazes para alertar toda a gente contra os relacionamentos abusivos e contaram com o apoio dos pais, professores e diretores das escolas.

A marcha assinala o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Segundo o governo, apenas este ano, o crime fez 33 vítimas fatais em Portugal, sendo 25 mulheres adultas, uma criança e sete homens. Entre os estudantes havia o sentimento misto de indignação e desejo de mudança de uma realidade presente nos lares, mas pouco discutida na sociedade. No cartaz trazido pela estudante do 10° ano Lara Costa, lia-se uma das frases mais ditas entre os jovens: “Felicidade em primeiro lugar, não te deixes agredir pelo teu par”.

Durante a marcha, a presidente do CooLabora, cooperativa que pretende intervir no desenvolvimento de pessoas, disse que os sinais da violência muitas vezes não são explícitos e que é preciso estar atento à todas as tentativas de controlo, como por exemplo, a insitência do compaheiro em querer saber quando e com quem a jovem sai ou mesmo o controlo sobre o uso do telemóvel. O alerta é para que esses sinais possam ser identificados já no início do namoro, prevenindo, assim, a continuação da violência.

Alguns estudantes preferiram usar márcaras durante o protesto para demonstrar tristeza e sensibilizar a sociedade covilhanense para o tema. Segundo um dos jovens mascarados, do 8° ano da escola Quinta das Palmeniras, a violência não tem rosto ou identidade, por isso o apelo para o fim dos maus-tratos.

A marcha contra a violência contou com a presença de autoridades públicas do conselho e do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, que fez questão de demonstrar satisfação com a consciência da geração futura e com a luta dos jovens. Durante o evento, Rebelo disse que já se vai o tempo em que figurava o ditado “entre marido e mulher não metas a colher”.

As vítimas de violência doméstica podem e devem denunciar as agressões através de um serviço gratuito de atendimento que funciona 24h por dia, o ano inteiro. O serviço de informação é anónimo e confidencial, através do número 800 202 148.

Aline Grupillo

Jornalista com 20 anos de experiência em jornalismo televisivo no Brasil. E-mail: jornalismo@redevivacidade.com