Trabalho

Coronavírus muda relações de trabalho na região

Empresas com medidas para evitar propagação do Covid-19

Coronavírus muda relações de trabalho na região
Saiba como as empresas regionais estão a enfrentar o Covid-19. FOTO: Divulgação

As dúvidas são muitas e apanham os trabalhadores em um momento da economia em que as empresas costumam arrancar nas despesas e receitas. Diante das previsões dos especialistas do setor, a ideia que fica a qualquer cidadão comum é a de que, do ponto de vista económico, 2020 começou e terminou no mesmo mês: março!

Para quem está em busca de uma nova oportunidade de trabalho, a altura também não é das melhores. A partir desta segunda-feira (16), o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) cancela todas as “atividades de formação em curso, bem como as que se encontram programadas, até 9 de abril, data em que a situação será reavaliada”. O IEFP informa ainda a quem recebeu convocatória para uma intervenção nos próximos dias, para considerar a mesma “sem efeito”.

A decisão atende às medidas adotadas pelo Governo. Até comunicação em contrário, encontra-se suspensa a obrigação de procura ativa de emprego por parte dos candidatos que se encontram a auferir prestações de desemprego. Os serviços do IEFP não se encontram encerrados, mas o instituto recomenda que os candidatos utilizem as comunicações por meio digital, por email info.iefp@iefp.pt ou no portal www.iefponline.iefp.pt para obter informações.

Empresas mudam horário e adotam teletrabalho

Na região, algumas empresas estão a adotar mudanças para evitar o contágio pelo Covid-19. No Call-Center da Covilhã, por exemplo, alguns projetos já suspenderam a presença de funcionários. Em um deles, direcionado ao setor energético, a última semana foi de experiência laboral à distância. Segundo Marta Santos, gerente de linha da Endesa, empresa com 27 trabalhadores no local, quatro pessoas já estão em casa a trabalhar.

A empresa segue a “tentar ter condições para mandar tanta gente ao mesmo tempo para casa”, mas a gerente acredita que a medida é a mais correta e que o Call-Center “devia ter pensado nesta solução muito mais cedo”.

No setor da restauração, também nota-se mudanças. Em agumas pastelarias na Covilhã e na Guarda já não se permite que os clientes sentem para tomar o pequeno almoço ou fazer lanches. No café Brasil Uai, recém inaugurado no centro histórico da Covilhã, o gerente decidiu não abrir no domingo e reduziu o horário de atendimento. “Devido à restrição pública de horário para proteção da saúde, a partir de hoje (16) estamos a funcionar das 9:00 às 18:00 hs”, esclarece Alisson Cassemiro.

A construção civil é outro setor onde cresce a preocupação dos empresários. A Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas reorganizou os serviços de atendimento ao púbico, privilegiando as chamadas por telefone e outros canais digitais e estabeleceu “limitações de frequência para assegurar a possibilidade de manter a distância de segurança”. Assim, ficam encerradas, por tempo intederminado, as delegações e apenas permanece em funcionamento o escritório da Guarda.

Gente da Perfil Exige Engenharia e Construção, empresa com sede na Guarda, Jorge Morgado ressalta as medidas tomadas para evitar a proliferação do Coronavírus. A empresa possui 12 funcionários dividios em três canteiros de obra em Lisboa, Covilhã e Vila Nova de Foz Côa. “Pra já, o pessoal do escritório está a trabalhar de casa e nas obras, tomamos a medida de não misturar trabalhadores. Quem está em Lisboa não vem pra cá, por exemplo”, garante Morgado.

Orientações aos trabalhadores

Na passada semana, a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses alertou para a fragilidades daqueles que trabalham a recibos verdes. A medida de apoio aos trabalhadores autónomos prevê o aporte financeiro de 438 euros, mas o valor os coloca abaixo do limiar da pobreza. Por isso, a CGTP recomendou que “seja garantido o rendimento total a todos os trabalhadores”.

Em reportagem avançada pelo Público, advogados orientam os trabalhadores a comunicar a decisão de ficar em casa por escrito aos empregadores. A medida pode ser tomada de forma unilaterial e dos dois lados, desde que o teletrabalho seja compatível com as funções exercidas. A informação em papel deve-se às questões jurídicas ainda que a exigência não conste no diploma do Governo.

Com a decisão do Governo de encerrar escolas e infantários, pais com filhos até os 12 anos podem ficar em casa, mas vão receber apenas 66% do salários, metade a cargo do empregador, metade a cargo da Segurança Social.

Aline Grupillo

Jornalista com 20 anos de experiência em jornalismo televisivo no Brasil. E-mail: jornalismo@redevivacidade.com