Novo normal: euforia e apreensão

9 de Junho de 2020

Por Giovanni Ramos

Euforia, raiva e apreensão: foram três palavras mágicas que descreveram minha quarentena na Covilhã. A apreensão é por motivos óbvios, a euforia vinha a cada uma terminado que as coisas funcionaram. A raiva, bom, a raiva a gente deixa de lado nessa crónica.

As palavras mágicas que talvez resumam a minha vida, são perfeitas para definir o novo normal na Covilhã. Participar da vida social na retoma das atividades é variar entre euforia e apreensão. Sentimentos que podem ser simultâneos, o que causa ainda mais confusão na minha cabeça e de quem está ao lado.

Vou ao jardim público, vejo uma movimentação interessante, sento, peço um café ou um fino, e aprecio a paisagem, a nova vida normal na Covilhã. Euforia: cumprimos bem as regras da quarentena e como alunos comportados, temos o direito de viver novamente.

Olho para as pessoas que estão no jardim e não reconheço nenhuma delas. A maioria é jovem, bem jovem, possivelmente estudantes da UBI. Eles tinham ido embora, mas precisaram voltar para os trabalhos finais. Vieram de onde? De cidades onde a pandemia não está controlada? E estão todos sem máscaras? Apreensão. Se tiver um deles infetado aqui, o problema vai começar tudo de novo.

Esplanadas autorizadas a funcionar. FOTO: Divulgação.

Quase todo o país registou 35 casos de Covid-19 no último boletim diário. Euforia. Lisboa e Vale do Tejo registaram 386. Apreensão. Quase não há movimentações nos números das cidades da região. Euforia. Quando mudou, foram dois casos na Covilhã. Apreensão. Esses dois casos, provavelmente são mais antigos e demoraram para entrar no banco de dados da DGS. Euforia e apreensão simultaneamente.

Moradores da Covilhã de longa data dirão que a raiva também faz parte deste complexo de sentimentos. Eles conhecem os atalhos e sabem como passar raiva por aqui. Como estou há apenas quatro anos, ainda não aprendi a odiar nesta cidade.

“Novo normal” virou moda no mundo inteiro, usado para descrever o pós-confinamento. Talvez, o novo normal seja isso mesmo. Aproveite a vida, vá no restaurante, entre na loja, mas mantenha o medo constante da doença. Isso tudo a viver apenas dentro do concelho. Fim do mês vou ao Norte e ainda não sei como será andar pelas ruas do Porto, viajar de autocarro nesses novos dias.

Mas tudo bem. Esse novo normal ainda é muito melhor que a quarentena. A variação de sentimentos em um processo de retoma é aceitável. Enquanto a situação na maior parte do país estiver controlada e enquanto não for preciso ir a Lisboa, tudo bem…