O que seria de nós sem a internet?

24 de Março de 2020

Por Giovanni Ramos*

Pandemia global. Todos que puderem, devem ficar em casa. O que fazer nesta situação já que o turismo e a participação em eventos culturais foram proibidos e o lazer está limitado? Como trazer tudo isso para dentro de casa?

Esta semana decidi pesquisar sobre coisas para fazer em casa nos tempos da pandemia e está a surpreender-me a quantidade de coisas para se fazer dentro do lar: Netflix, Amazon Prime, HBO Go, Spotify, YouTube, educação a distância, podcasts, videojogos, aplicações de videoconferência para manter as conversas com familiares e amigos.

Ainda tem os livros e eu destaco os ebooks. Não precisa nem esperar o livro físico chegar, para quem já possui algum e-reader (como eu). São tantos cursos online para fazer, séries para maratonar, que provavelmente faltará tempo para fazer tudo isso. Tantas opções de podcasts para ouvir que vai faltar louça para lavar e quarto para fazer faxina.

Diria até que é possível vivermos um certo tempo isolados, em quarentena, com essa quantidade de coisas giras para se fazer em casa. Mas há uma questão que precisa ser seriamente discutida e é o tema desta crónica: a internet. Quase tudo que foi citado anteriormente precisa da rede mundial de computadores para funcionar.

Como seria enfrentar a pandemia global do coronavírus sem internet? Imagine ficar em casa por semanas, meses, completamente offline? Há um século, a humanidade sofria com a gripe espanhola, muito mais letal…e sem internet.

Não, esta crónica não tem o objetivo de atenuar os problemas do coronavírus. A pandemia nos trouxe desafios gigantescos. Para alguns, o ócio incomoda, mas o isolamento social é necessário. O que procuro trazer à reflexão é algo que, de algum modo, já sabíamos, mas que agora parece irrefutável: a dependência da internet, que aumenta em situações como esta.


* O autor é um dos criadores do Viva Covilhã, atua no jornalismo desde 2005 e estuda doutoramento em Comunicação na UBI.