FOTO; Aline Grupillo/Viva Covilha

O turismo além da neve

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Empresários buscam solução para manter visitas à Serra da Estrela

A falta de neve na Serra da Estrela não é propriamente um fenómeno novo ou mesmo recente. Quem vive e trabalha na região já percebeu que as mudanças climáticas globais têm gradualmente afetado o ponto mais alto de Portugal continental, trazendo alguma consequência para o turismo, já que boa parte dos visitantes vêm à região na esperança de encontrar o “ouro branco” da serra.

Em dois meses, os nevões puderam ser poucas vezes observados. Segundo o portal meteorológico da Serra, a próxima queda de neve está prevista para esta sexta-feira (16), entretanto, em pouca quantidade. Quem quer visitar o parque natual com neve, terá de esperar.

Os turistas podem até ser pacientes, mas os empresários locais já começam a pensar em novas estratégias para fomentar o turismo em períodos como o que estão a enfrentar. “Não podemos depender da natureza”, afirma Lino Torgal, diretor da Pousada da Juventude, que está com taxa de ocupação a volta dos 40% durante a semana.

O diretor assegura que as desistências são pontuais, embora note uma redução de 20% na taxa de ocupação relativamente aos anos anteriores. Lino destaca que o movimento na pousada vinha em uma crescente, mas há dois anos os gestores percebem a quebra no rítimo de visitas por causa da falta de neve. As hospedagens aumentaram 6% em 2019 se comparadas a 2018, mas nos anos anteriores, o percentual de crescimento era de 18 a 20%. “Não significa que paramos de crescer, estamos em um nível de sustentabilidade bom, o que importa agora é nunca descer”, explica o diretor.

Para isso, a pousada que está localizada nas Penhas da Saúde, reativou as piscinas durante o verão e aguarda a aprovação do governo para criação de uma pista de gelo artificial durante o inverno. Outra boa expectativa é de que haja um melhor ordenamento da Serra da Estrela como destino turístico com o estatuto de Geopark mundial.

A diminuição de visitas, sobretudo na última semana em decorrência da chuva, também foi sentida por David Timóteo, dono do restaurante Varanda da Estrela. Para suprir a ausência da neve, aposta-se em uma gastronomia variada e no serviço. O restaurante serve 70 refeições diárias e chega a 220 nos fins de semana. Dos quatro funcionários contratados temporariamente para a quadra festiva, dois devem ser efetivados. “O turista vem à procura da neve, mas não havendo, há a gastronimia, o vinho, é nisso que temos que pensar”, conclui.

Certo é que, com ou sem neve, a Serra da Estrela é um sítio magnífico, que merece ser visto de perto. Mas quem depende do turismo deixa claro que é preciso estar preparado para dar a volta às dificuldades impostas pelo clima e que a criação de uma entidade organizada poderia ajudar a pensar o futuro da Serra da Estrela.

 

Jornalista com 20 anos de experiência em jornalismo televisivo no Brasil. E-mail: jornalismo@redevivacidade.com

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