Palmas para o povo português!

29 de Abril de 2020

Por Giovanni Ramos*

Portugal voltou a aparecer no noticiário televisivo internacional em abril. Desta vez, não foi a Torre de Belém, nem a Ponte Luís I, tampouco as praias do Algarve. Aliás, como brasileiro há quase quatro anos por aqui, eu digo que já passou a hora do turista descobrir que existe um país inteiro além, óbvio, de Porto-Lisboa. No Brasil, por exemplo, o destaque ao país teve a ver com o assunto da vez, o combate à pandemia.

Não demorou muito para receber notificações no meu telefone. Amigos que viram a reportagem televisiva curiosos com a notícia? Portugal é mesmo um exemplo no combate a pandemia? Já vão começar a abrir as coisas no país? Está tudo certo nos hospitais?

Imagino que um português se irritaria ao ver/ouvir pessoas dizendo que por aqui está tudo bem. É preciso contextualizar: o país de onde eu venho é governado por um negacionista que acha que tudo não passa de uma “gripezinha”. Não por acaso, os números por lá não param de crescer.

Não está tudo bem por aqui. O número de infetados continua a crescer, diferente da Alemanha e Espanha, onde já começou a diminuir. A rede hospitalar é pequena, o que obriga o governo a se preocupar ainda mais com o achatamento da curva. Tivemos registos de portugueses a ignorar o isolamento social, o famoso caso das praias lotadas lá no início da pandemia. E são mais de 900 mortos. Não podemos dizer que está tudo bem.

FOTO: Giovanni Ramos/Viva Covilhã

E nem vai abrir tudo semana que vem. Sai o Estado de Emergência e entra outro decreto, que vai manter muita coisa fechada. Não é hora de voltar a normalidade, se é que podemos ainda falar em uma tal normalidade. Vamos continuar em casa!

Mas não podemos negar que houve um achatamento da curva em Portugal. As projeções, na metade de março, mostravam que, sem isolamento social, o país poderia ter até 48 mil casos em 30 de março. Um mês depois, temos a metade disso. O isolamento foi aplicado e deu resultados positivos.

A quem devemos creditar o bom controle da pandemia? Não cabe a mim entrar em disputas políticas, quero destacar um agente que vejo como fundamental para o combate à Covid-19. O povo português! A disciplina da maioria da população foi fundamental.

Quando abro páginas de jornais na internet e leio sobre a revogação do Estado de Emergência, leio comentários de cidadãos revoltados e preocupados, que desejam a manutenção da quarentena. Sim, temos aqueles que ignoram e ignoraram desde o começo, mas, no geral, a maioria não apenas fez isolamento como quer manter isso um pouco mais, para o combate ser ainda mais efetivo.

Foi o que disse aos amigos brasileiros. Não está tudo bem (ainda), a reabertura do comércio e instituições será gradual e se Portugal tem um número de casos inferior ao projetado, eu aplaudo o povo português pela sua disciplina.

E o brasileiro aqui aplaude e sente-se muito feliz em ver o país em que decidiu concluir os estudos agir desta forma.

* Estudante de doutoramento em Comunicação na UBI, residente desde setembro de 2016.