Efeito coronavírus

Produtores vão usar redes sociais para escoamento da cereja

Produtores estão entre a incerteza com trabalhadores e valor do fruto

Produtores vão usar redes sociais para escoamento da cereja
Ouro vermelho da Cova da Beira. FOTO: acervo Viva Covilhã

A altura deveria ser de grande movimento nos cerejais da região. Não apenas com o início da contratação de trabalhadores para a apanha das cerejas, mas também com o turismo rural que todo os anos traz centenas de visitantes à Vila do Ferro, no concelho da Covilhã, e ao Fundão para ver de perto o espetáculo das cerejeiras em flor e experimentar a colheita dos frutos.

O impacto negativo da pandemia do coronavírus nas atividades turísticas traduz-se na perda do complemento monetários para os produtores e no cancelamento das feiras e festas tradicionais, que também afeta a comercialização de produtos processados ou do fruto in natura. Além disso, o clima terá tido algum efeito sobre a produção das cerejas, já que o nevão do começo de abril foi responsável por uma quebra significativa da produção afetando as variedades que se encontravam floridas.

Excursões aos cerejais foram cancelas. FOTO: Divulgação

“Entre os produtores reina a atmosfera de incerteza”, afirma a Presidente da Confraria da Cereja, Telma Madaleno. Ela explica que as principais preocupações agora são com a disponibilidade de mão-de-obra para a apanha, com a criação de circuitos de comercialização e com o valor das vendas.

A utilização de meios de proteção na apanha e acondicionamento da cereja e a distancia física de segurança não é um problema difícil de resolver. Resta, no entanto, a dúvida se, num ano em que a produção é menor e as opções de venda mais reduzidas, o valor médio de comercialização compensará a dedicação de cerisicultores, aponta Telma.

Presidente da Confraria da Cereja

Isso porque, diante da situação económica de muitas famílias, a prioridade deverá ser dada às frutas mais baratas. Mas, Telma Madaleno ressalta que a campanha de 2020 não está ainda perdida e que instituições e poder público devem fazer o possível para não prejudicar ainda mais as pessoas que têm na atividade um meio de sobrevivência.

Para já vamos apoiar a promoção da cereja que agora se começa a colher recorrendo sobretudo às redes sociais. Estaremos atentos ao desenrolar da colheita e, caso se justifique, iremos reivindicar junto das autoridades competentes medidas de apoio para os cerisicultores.

Comerciantes adotam estratégia para escapar da crise. FOTO: acervo Viva Covilhã

Para vencer os problemas trazidos pela pandemia e prevendo um 2021 ainda difícil, a confraria apela ao consumo dos produtos regionais. A ideia é reforçada por alguns comerciantes da região que preferem não cruzar os braços diante da possibilidade de quebra na procura de produtos à base das cerejas.

Na pastelaria Arte e Doce, no Fundão, os donos adotaram algumas estratégias. Para evitar desperdícios, houve uma redução na quantidade diária produzida. Além disso, foi criada uma caixa com variedade de doces à base da cereja para ser levantada e saboreada em casa.

“Optamos por um preço convidativo de forma que esteja ao alcance de todos nesta época de crise, sem descuidar da qualidade e do profissionalismo no fabrico”, sublinha a cake designer Manuela Machado.

Aline Grupillo

Jornalista com 20 anos de experiência em jornalismo televisivo no Brasil. E-mail: jornalismo@redevivacidade.com