Ubiana aos 40

10 de Dezembro de 2019

Por Paula Brito*

Dizem que nunca é tarde para aprender, eu acrescento, nem para numa aventura embarcar, semelhante a esta, que é regressar aos bancos da escola, quando a escola já passou por nós há mais de 20 anos.

Lembro-me do primeiro dia que cheguei à Universidade de Coimbra, era uma jovem trabalhadora estudante, e senti o peso das oponentes paredes da secular universidade, na altura, pouco habituada a este estatuto, como se não entendesse que alguém não a quisesse em regime de exclusividade.

Lembro-me do primeiro dia que regressei à Universidade, agora da Beira Interior, e andei igualmente perdida nos corredores, mas já sem o peso das oponentes paredes, e não porque não sejam oponentes ou seculares, já que as suas pedras serão as mesmas que construíram o castelo que protegeu a Covilhã, que ergueram a Real Fábrica de Panos que a ajudaram a alcançar o título de Manchester portuguesa, e que, já no século XX, ainda a lamber as feridas da crise dos lanifícios, a ajudaram a erguer-se de novo, construindo sobre as mesmas pedras, a Universidade da Beira Interior. 

Entrada do Polo I, na Rua Marquês d’Ávila e Bolama. FOTO: Bruno Barbosa/Viva Covilhã

Mas dizia eu que, regressar à universidade aos 40 é continuar a vaguear pelos corredores, mas agora com o olhar de quem gosta de apreciar o ritmo dos jovens estudantes, apressado, impaciente, que o mundo lá fora é a cores e anda rapidamente. Os olhos de um jovem estudante, são como os de um amor errante, vagueiam pela vida real com a mesma rapidez que o fazem na vida virtual. Fruto de um mundo cada vez mais acelerado, sem tempo para estar sentado, o vazio olhar ou o ócio fomentar…

E a universidade, dada a sua jovialidade, percebe que os tempos são de mudança, e que é preciso adequar o ritmo à esperança que o país, no caso da UBI, o mundo, deposita naqueles que ocupam os bancos do futuro.

* A autora é jornalista e escreve no blog Nunca Mais é Sábado – www.nuncamaisesabado.net