Um parque sem graça

4 de Junho de 2020

Por Giovanni Ramos

Bastou uns dias de sol com temperaturas mais altas para eu dar aquela passeada pelo Jardim do Lago. Depois de dias confinados, ficar deitado no gramado por um tempo, a contemplar o céu, é quase uma necessidade. Mas a tranquilidade do jardim tinha um ingrediente adicional: a ausência do ganso terrorista.

Já contei em outra crónica que a Covilhã é uma cidade literária e até hoje cogito produzir um conto com o grande mistério do cotidiano da Covilhã: quem matou o ganso do jardim? O Jardim do Ganso, como alguns diziam. Pois, é facto que temos uma sensação diferente ao visitar o local sem a preocupação de que aquela curiosa ave irá nos atacar.

Aí eu pergunto: o que seria mais incómodo, o ganso no Lago ou os bêbados no Jardim Público? Atire a primeira pedra quem nunca foi abordado por algum deles enquanto tentava relaxar! Seja o ganso terrorista, seja o bêbado chato, cada jardim da cidade tem alguma coisa peculiar, mas, no geral, são os nossos refúgios para semanas de stresse. Não há ganso que tire a tranquilidade e a paz no Jardim do Lago, não há bêbado que estrague a belíssima paisagem das montanhas no Jardim Público.

E o Goldra? Bom, caros leitores, esta crónica foi criada para falar do malfadado parque abaixo da UBI. A Câmara Municipal fez uma parceria com a universidade para revitalizar parte do espaço, que hoje está praticamente abandonado.

FOTO: Giovanni Ramos/Viva Covilhã

O que deu errado no Goldra? É um local, acima de tudo, sem graça. Pouco verde, poucos equipamentos para manter o público no espaço e com um acesso difícil, pois ninguém vai para um parque para subir escadas.

A primeira vez que vi o Goldra, em 2016, impressionou-me muito. Vi o parque da janela da Biblioteca da UBI, parecia um espaço fantástico. Mas basta dar um passeio para perceber porque não deu certo.

Entenda, leitor, o Goldra não é um lugar horrível, ele é apenas sem graça, nada atrativo. Nem mesmo um problema divertido ele tem. Eu torço muito para que a parceria dê certo e o Goldra seja revitalizado. Até mesmo para a gente apontar defeitos, que não sejam o excesso de escadas. A verdade é que o morador da Covilhã “de cima” tem o Jardim Público e o “de baixo” tem o Lago. Quem precisa de um parque no meio do caminho?