2001 é um dos destaques da coluna

VivArte #11 – Sobre o futuro

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Veja as dicas do que ler, ouvir e ver na primeira semana de 2020

O ano de 2020 começou e o VivArte está com a cabeça no futuro. As dicas da semana são de temáticas futuristas. Dois clássicos da litertura e do cinema e uma música de grande sucesso dos anos 90 são as recomendações desta edição!

OUVIR > Pearl Jam – Do the Evolution

Por Maurília Gomes

Yield, quinto álbum de estúdio do Pearl Jam foi lançando em 3 de fevereiro de 1998. Assegurou, a partida, o segundo lugar na Bilboard 200, recebeu críticas positivas e conquistou um disco de platina pela RIAA nos Estados Unidos. Suas treze faixas marcaram uma abertura nas composições, até então centradas no vocalista Eddie Vedder. O álbum foi o último da banda com a participação de Jack Irons, baterista que deixou a banda durante a turnê promocional do álbum e foi substituído por Matt Cameron.

Para promover Yield, o Pearl Jam realizou uma grande turnê e lançou um videoclipe para a canção Do the Evolution, que rendeu a indicação a melhor performance de hard rock Grammy. E é exatamente por causa desta música que eles fazem parte da indicação desta semana. A crítica ao modelo de progresso centrado na relação do homem com a tecnologia faz da letra de Do the Evolution, assinada por Vedder, um verdadeiro ‘soco no estômago’. Ela foi musicada pelo guitarrista Stone Gossard com riff constante complementado pelos vocais ásperos para deixar aquele ‘nó na garganta’.
O videoclipe tem produção de Joe Pearson e direção de Kevin Altieri (conhecido por Batman: A Serie Animada) e Todd McFarlane (que no ano seguinte dirigiu o vídeo de Freak on a Leash, do Korn). Em seus quatro minutos de duração, propõe uma viagem pela história da vida na Terra, situando a presença humana e a ideia da ‘luta pela sobrevivência’ a partir de uma perspectiva perversa e brutal.

A violência dos grandes impérios e indústria bélica está retratada no clipe e, ainda, temas como escravidão, racismo, nazismo, consumismo e clonagem humana. O desenvolvimento tecnológico e a hibridização da sociedade e do próprio humano, uma espécie de meta-máquina, é outro ponto de destaque no vídeo animado que exagera (ou não) nas distopias previstas para um futuro – hoje, passado – 2010 apocalíptico.

Do the Evolution é, em minha opinião, umas melhores canções do rock dos anos 1990. Ela fala de futuro sem esquecer do passado, num chamamento à reflexão sobre a condição humana e as responsabilidades que temos no presente com o planeta que habitamos. Uma ótima forma de começar o ano novo. Enjoy the evolution!

Do the Evolution

I’m ahead, I’m the man
I’m the first mammal to wear pants, yeah
I’m at peace with my lust
I can kill ‘cause in God I trust, yeah
It’s evolution, baby
I’m a beast, I’m the man
Having stocks on the day of the crash, yeah
On the loose, I’m a truck
All the rolling hills I’ll flatten them out, yeah
It’s herd behavior, uh huh
It’s evolution, baby
Admire me, admire my home
Admire my son, he’s my clone
Yeah, yeah, yeah, yeah
This land is mine, this land is free
I’ll do what I want but irresponsibly
It’s evolution, baby
I’m a thief, I’m a liar
There’s my church
I sing in the choir:
Hallelujah, hallelujah
Admire me, admire my home
Admire my song, admire my clothes
‘cause we know appetite for a nightly feast
Those ignorant indians got nothing on me
Nothing, why?
Because, it’s evolution, baby!
I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I’m higher
Twenty-ten, watch it go to fire
It’s evolution, baby
It’s evolution baby
Do the evolution
Come on

VER > 2001: Odisseia no Espaço

Por Fábio Jardelino

A nova década acaba de começar, a segunda deste século. 2020 chegou oficialmente… e parece coisa de filme de ficção, não é? Quando escuto alguém falando 2020, ainda associo àqueles filmes futurísticos, que diziam em tom de predição que alguma coisa iria acontecer. Pois então, o futuro chegou, está aqui. E já que estamos nele, vamos falar hoje de um dos filmes mais emblemáticos das narrativas futurísticas: 2001 – Odisseia no Espaço.

Lançado em 1968, o filme foi dirigido pelo gênio do cinema, Stanley Kubrick, com roteiro de Arthur C. Clarke – ao mesmo tempo em que escrevia o roteiro para o filme, o escritor também produzia o livro homónimo. Vale lembrar que o livro é mais completo que o filme, explicando a sequência final de forma mais didática, coisa que o diretor se recusou a fazer na obra fílmica.

Para Kubrick, 2001 – Odisseia no Espaço era mais do que um simples filme, era uma experiência subjetiva visual. Por isso, já aproveito para salientar que se você está esperando para assistir um Star Wars, desista. 2001 é mais que tiros e explosões, é maestria. É uma obra-prima da ficção-científica, parada obrigatória para todos os cinéfilos do gênero.

Com cortes certeiros, casados em enquadramentos simétricos – marca registrada do diretor – o filme captura a atenção do telespectador durante os 142 minutos de sua duração. Seu roteiro é um pouco complicado para olhos menos atenciosos, sendo dividido em quatro grandes partes: “A Aurora do Homem”, “AMT-1”, “Missão Júpiter” e “Além do Infinito”. Inclusive, o corte temporal entre a primeira e a segunda parte é considerado o maior “pulo no tempo” da história do cinema, saindo da evolução do homo sapiens, até a colonização da lua pelo homem – que nessa ficção acontece no ano de 2001.

Mas o que chama mesmo a atenção é a memorável trilha sonora, repleta de composições clássicas, como a valsa Danúbio Azul, de Johann Strauss II, que se encaixa perfeitamente com o movimento dos satélites, e o famoso poema sinfónico de Richard Strauss, Assim falou Zarathustra, demonstrando a evolução do Homem como espécie.

O filme é um marco do cinema, tanto pelos efeitos especiais utilizados (e inventados), quanto pela vanguarda tecnológica de que ele trata. Por exemplo, um dos personagens principais na história é o computador de inteligência artificial HAL 9000, algo parecido com o que já temos nos dias atuais, porém algo inimaginável na década de 60 – apenas na ficção. Uma cena que vale a pena citar aqui, por exemplo, é a do homem andando na lua sem gravidade. Lembrando que o homem só pisou no satélite um ano depois que a produção foi lançada, em 1969, logo naquela altura ainda não se tinha ideia de como gravar aquelas cenas.

Realmente, 2001 – Odisseia no Espaço é um filme diferenciado. Ele é exatamente como eu espero que 2020 seja, um grande mistério, com belas cores, excelente trilha sonora, simetria e emoção. Vamos em frente!!!

LER> 1984 de George Orwell

Por Giovanni Ramos

O escritor britânico George Orwell (1903-1950) ficou conhecido na literatura mundial por duas obras: a fábula “A Revolução dos Bichos” e “1984”, sua obra mais complexa. Trata-se de uma distopia sombria que influencia a literatura e o cinema até hoje.

Na distopia de Orwell, o mundo está dividido em três grandes potências: a Oceania, Eurásia e Estásia. O romance se passa na Oceania onde o protagonista é Winston Smith, um funcionário de um governo ultratotalitário que trabalha no Ministério da Verdade, onde desempenha a função de revisionismo histórico, alterando os jornais para que todas as notícias sejam favoráveis ao partido que governa a Oceania.

Tudo é vigiado 24 horas pelo Grande Irmão (Big Brother). O nível do totalitarismo é tão grande que o governo possui a Novilíngua, um novo idioma a partir do inglês, mas onde palavras são retiradas para que a população nunca conheça seu significado.

Smith se apaixona por uma mulher, Julia. Ela e um amigo, O’Brien, levam o protagonista a se revoltar contra o sistema. Todo o romance é contado a partir de Smith, um personagem triste e sem propósitos na vida, que começa a se transformar quando inicia sua rebeldia.

1984 é, acima de tudo, uma crítica ao totalitarismo, mas deixa também uma crítica para os tempos atuais e uma atenção ao que está por vir. A super vigilância das câmeras pelo Big Brother, o controle total do estado sobre os dados das pessoas contidos na obra deve ser discutido hoje quando o assunto é a privacidade dos dados na internet.

 

Pesquisador de media regionais, atua no jornalismo desde 2005. E-mail: web@redevivacidade.com

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