VivArte #14 – SUFRI, NHA FIDJO!

Exposição do artista Helénio Mendes é o destaque da semana

VivArte #14 – SUFRI, NHA FIDJO!
FOTO: Divulgação

Exposição do artista Helénio Mendes é o destaque da semana

A primeira exposição pessoal do artista Helénio Mendes, nascido na Guiné-Bissau e estudante de Design de Moda na Universidade da Beira Interior, é o destaque da agenda da semana. Nas dicas culturais, Giovanni Ramos e Maurília Gomes trazem livro, filme e disco sobre sofrimento e preconceito.

VER > Greenbook

Por Giovanni Ramos

Vencedor do Oscar de melhor filme em 2018 (uma surpresa para os críticos, é verdade), Green Book destacou-se no ano passado pela excelente atuação dos dois protagonistas: os atores Viggo Mortensen e Mahershala Ali, sozinhos, garantiram o sucesso da obra.

Green Book conta a história de Frank Vallelonga (Viggo Mortensen), um típico ítalo-americano que trabalha de segurança na Nova Iorque dos anos 60. Grosseiro, pouco educado e acostumado a viver entre racistas, ele é convidado para atuar como motorista do pianista Don Shirley ( Mahershala Ali) em uma excursão que o artista negro faria pelo Sul dos Estados Unidos que, na época, vivia em segregação social entre brancos negros.

Green Book é o nome de um livro que Vallelonga recebe antes da viagem, um guia de locais seguros para negros no Sul dos Estados Unidos. Os diálogos durante a excursão entre Vallelonga e Don Shirley, um ítalo-americano bronco e um negro rico e culto, são apresentados em meio a um cenário de uma sociedade extremamente racista.


OUVIR > Emicida: AmarElo

Por Maurília Gomes

Leandro Roque Oliveira, que em sua juventude na periferia de São Paulo era chamado de MC homicida por causa das suas vitórias nas batalhas de rima, fez sucesso no Brasil com o novo nome E.M.I.C.I.D.A para o qual criou o acrônimo Enquanto Minha Imaginação Compuser Insanidades Domino a Arte.

Emicida é, sem sombra de dúvidas, um dos principais nomes da música brasileira na atualidade. O rapper começou a fazer sucesso por suas rimas no YouTube, em 2008 quando um de seus vídeos chegou a ter um milhão de visualizações. Em 2020, é reconhecido na cena musical por suas composições contestadoras, vitórias em prémios de música nacionais e indicações ao Grammy Latino, em 2016 e 2017.

Uma década após o lançamento de seu álbum de estreia Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe… (2009), Emicida ocupa um espaço bem maior que o de rapper. Apesar da música ainda ser o foco principal de seu trabalho, ele atua também como apresentador – ao lado de Fabio Porchat, Chico Bosco e João Vicente – no programa de debates semanal Papo de Segunda (do canal GNT) e como escritor infantil com a obra Amoras, lançado em 2018.

AmarElo, seu terceiro álbum estúdio, é definido pelo próprio Emicida como um disco “solar”. Lançado no final de 2019, o álbum completo ainda disponível apenas no mercado brasileiro pelas plataformas de streaming, já acumula elogios por trazer canções com menos agressividade e mais reflexão, ao invés de letras ácidas, afirmação de que só o amor pode combater o ódio. As 11 faixas revelam maturidade do artista e sua capacidade de agregar pessoas em sua volta. A maioria das músicas do disco conta com participação de outros artistas como Eminência Parda, que traz Dona Onete – um dos maiores nomes da música paraense – e a faixa título do álbum, AmarElo que tem a participação de Pabllo Vittar e Majur e, ainda, um sample do grande cantor Belchior.

No álbum, Emicida também divide faixas como Principia, com o pastor Henrique Oliveira, conhecido por ser a principal voz progressista no cenário evangélico brasileiro, e Ismália, que tem nada menos que a atriz Fernanda Montenegro interpretando o poema do mineiro Alphonsus de Guimaraens. Por tudo isto, parece mesmo que AmarElo é uma luz nestes tempos de ódio. Enquanto não chega o álbum completo por aqui, vamos acompanhando o material disponível.


LER > A Maçã Envenenada – Michel Laub

Por Giovanni Ramos

No início desta década, um jornalista brasileiro volta a meados dos anos 90 para lembrar do tempo em que servia o exército brasileiro e se frustrava por ser chamado ao serviço no dia que a banda Nirvana tocaria. O jornalista, que narra o romance, amplia suas memórias e lembra de um antigo caso de amor com Valéria, uma vocalista com tendências suicidas e diversos problemas.

Em meio a história pessoal, o narrador traz a história de Immaculée Ilibagiza, uma jovem de Ruanda, da etnia tutsi, sobrevivente do Genocício de Ruanda ocorrido em 1994, quando lideranças dos hutus, outro grupo étnico do país, foram os responsáveis pela morte de 500 mil a 1 milhão de tutsis e twas.

A história de Immaculée é real e o autor Michel Laub consegue em A Maça Envenenada una ficção dos problemas pessoais que o narrador passa ao longo do romance com o caso real de Immaculée e dos tutsis. O protagonista entrevista a sobrevivente em uma viagem ao Brasil, ponto de encontro entre duas histórias completamente distintas, mas que Laub as une em um ótimo romance que reflete sobre a vida.

O título do livro é uma referência à música Drain You, do Nirvana, em que um trecho da canção fala: “Com os olhos tão dilatados me tornei seu pupilo
Você me ensinou tudo sem uma maçã envenenada
“.

Giovanni Ramos

Pesquisador de media regionais, atua no jornalismo desde 2005. E-mail: web@redevivacidade.com