VivArte #15 – Aldeias de Montanha

Exposição na Guarda vai até o final de fevereiro Uma exposição fotográfica das aldeias da

VivArte #15 – Aldeias de Montanha
IMAGEM: Benjamin Reis/VIva Covilhã

Exposição na Guarda vai até o final de fevereiro

Uma exposição fotográfica das aldeias da Serra da Estrela e da Gardunha é o destaque da VivArte desta semana. A exposição está no Teatro Municipal da Guarda até o final do mês de fevereiro. Nas dicas culturais, Giovanni Ramos e Maurília Gomes trazem produções variadas em áudio, vídeo e livro.

Ver > Fariña (Netflix)

Por Giovanni Ramos

Início da década de 1980 em Espanha. A crise na indústria pesqueira deixa a situação económica da Galiza, que já era difícil, ainda pior. Os empresários do setor da pesca obtém lucros através do contrabando de tabaco, que possui uma fiscalização frágil.

É neste cenário que surge Sito Miñanco, um galego que deixa de ser entregador de produtos contrabandeados para ser um dos integrantes do cartel local. Depois, ele decide expandir seus negócios no tráfico e passa a comercializar a cocaína produzida na América Latina.

Inspirada no livro homónimo do jornalista galego Nacho Carretero, Fariña conta a história real da chegada da cocaína na Galiza. O protagonista da história é Sito Miñanco (Javier Rey), que chegou a ser chamado de Pablo Escobar da Espanha nos anos 80.

A série espanhola, disponível na Netflix, foi comparada à Narcos, produção da Netflix americana que conta a história do tráfico de drogas na Colômbia e no México. Porém, Fariña possui características próprias: diferente da produção de José Padilha, que foca na guerra ao tráfico, a série de Espanha mostra o drama das famílias com o crescimento da venda da cocaína no país, assim como os protestos das mães dos dependentes químicos.

Fariña possui ótimas cenas de ação, principalmente nos conflitos noturnos marítimos entre traficantes e a polícia, mas o destaque da série é o olhar mais dramático sobre o assunto.

Ouvir > Variações – Anjo da Guarda

Por Maurília Gomes

António Joaquim Rodrigues Ribeiro, conhecido por António Variações, é um dos grandes nomes da música portuguesa e sua obra ainda influencia músicos pelo país mais de três décadas após sua morte. Sua trajetória foi contada recentemente pelo realizador João Maia no filme Variações (2019), o maior sucesso do cinema português no ano passado com a arrecadação de quase 1,5 milhões de euros.

Seu álbum de estreia Anjo da Guarda (1983) é uma obra interessantíssima que combina a música pop com elementos de rock, eletrónico e blues. Uma bela variação. A música título tem uma batida consistente e um refrão de fácil assimilação que fica na memória. Assim também é Quando Fala um Português cuja letra divertida é bem encaixada numa melodia típica dos anos 1980 com baixo, teclado e saxofone: “Quando fala um português / Falam dois ou três / Todos se querem escutar / Ninguém espera a sua vez“.

Considerada por alguns críticos o maior sucesso da curta carreira de Variações, a música mais famosa deste álbum é sem dúvida, O Corpo é Que Paga que instiga o ouvinte à reflexão: “Quando a cabeça está convencida / De que ela é a oitava maravilha / O corpo é que sofre“.

O fado, como não poderia ser diferente, também marca presença entre as dez canções que compõem o disco, com uma linda adaptação da canção Povo Que Lavas no Rio e uma homenagem à Amália Rodrigues, maior nome de sempre do fado português, com a música Voz – Amália – de – Nós, a letra envolvente faz toda gente cantar junto: “Todos nós temos Amália na voz / E temos, na sua voz, a voz de todos nós“.

Desde que conheci a música de António Variações, ele faz parte da minha playlist de música portuguesa. De certeza que vai acabar entrando na sua também!

António Variações – Anjo da Guarda (1983) | Album Stream

Ler > Recordações da casa dos mortos

Por Maurília Gomes

Recordações da casa dos mortos é considerado o romance que marcou a melhor fase e consagrou a trajetória de Fiodor Dostoiévski, escritor russo que é um dos meus autores preferidos e a quem chamo carinhosamente de “Dost”. 

O livro fala das tensões diante da morte. Dostoiévski denuncia, por meio de sua personagem Aliksandr Petrovich, os campos de trabalho forçados na Rússia czarista, a violência por meio dos castigos, a sujidade e, ainda, a corrupção dentro dos presídios da Sibéria.

A narrativa é construída a partir de situações vivenciadas por ele durante o cárcere após ser condenado em 1849 a cumprir sentença em uma unidade prisional na Sibéria. O crime de Dostoiévski foi pertencer ao chamado Círculo de Petrachevski, grupo literário  que despertou a fúria do czar Nicolau I pelo caráter subversivo e discurso socialista presente em suas obras.

Esta obra traz o olhar cuidadoso do autor ao traçar os perfis daqueles com quem conviveu na prisão. Além descrever e analisar o poder disciplinar e os castigos como forma de supressão do caráter humanitário. “Concluí que um dia que se quiséssemos atormentar um homem, puni-lo cruelmente, esmagá-lo de modo que o mais feroz assassino se horrorizasse ante esse castigo, e tremesse mesmo, bastaria dar ao seu trabalho o caráter de completa inutilidade”.

Este foi o primeiro livro de “Dost” que li e nunca mais parei.

Giovanni Ramos

Pesquisador de media regionais, atua no jornalismo desde 2005. E-mail: web@redevivacidade.com