VivArte #19 – Documentário e humor na região

Confira as dicas para o final de semana Na Covilhã, tem stand-up comedy, na UBI.

VivArte #19 – Documentário e humor na região
FOTO: Divulgação

Confira as dicas para o final de semana

Na Covilhã, tem stand-up comedy, na UBI. No Fundão, a exibição de um documentário sobre uma das mais pequenas ilhas dos Açores. São as dicas do final de semana do VivArte. Nas dicas culturais, um novo clássico e dois lançamentos.


Ver > Jojo Rabbit

Por Giovanni Ramos*

São inúmeros os filmes que retratam os horrores do nazismo durante a segunda guerra mundial. Já tivemos também algumas comédias sobre o período. Mas fazer uma comédia de família, a partir de uma visão infantil…eis o destaque de Jojo Rabbit, vencedor do óscar de melhor argumento adaptado neste ano.

O filme se desenvolve durante a segunda guerra mundial, na Alemanha, a partir da visão de Jojo Betzler (Roman Griffin Davis), um menino de 10 anos, integrante da juventude nazista e um apaixonado pela causa. O menino possui poucos amigos e vive com a mãe (Scarlett Johansson), já que a irmã mais velha morreu há alguns anos e o pai não voltou da guerra.

Jojo tem Hitler como um amigo imaginário, interpretado pelo próprio realizador do filme, o neozelandês Taika Waititi. Por ser o amigo imaginário de uma criança de 10 anos, o Hitler de Jojo Rabbit é bobo, ciumento e com comportamentos infantis.

Waititi mistura o humor cómico com drama quando Jojo descobre que uma judia mora na sua casa, escondida pela mãe. Aos poucos, o mundo nazista de fantasia de Jojo começar a se desmanchar.

Criticado na Alemanha por debochar do tema, Jojo Rabbit é uma comédia diferente. A forma de misturar um assunto sério com um humor debochado assusta parte do público, mas ainda sim, trata-se de um bom filme. Com destaques para as atuações de Scarlett Johansson, indicada ao óscar de melhor atriz secundária e de Roman Griffin Davis, o ator de 12 anos que comportou-se muito bem como protagonista da obra.


Ouvir > Stone Temple Pilots – Perdida

Por Giovanni Ramos*

Quando alcançou o sucesso, em 1992, com a música Plush, a banda americana Stone Temple Pilots variava entre o som mais pesado e o grunge, fenómeno musical do rock dos anos 1990. A voz grunge de Scott Weiland harmonizava com batidas mais pesadas e o grupo era citado como um meio termo entre as já famosas Alice in Chains e Pearl Jam.

O estilo grunge ainda pode ser encontrado no mais recente álbum do grupo, mas as batidas pesadas ficaram para trás em Perdida, lançado no início de fevereiro, e já disponível nas plataformas de streaming. Em sua nova versão, o Stone Temple Pilots traz um estilo mais acústico e próximo do folk dos Estados Unidos.

É o segundo álbum com Jeff Gutt nos vocais de uma banda traumatizada com o posto. O primeiro vocalista, Scott Weiland, morreu em 2015, dois anos após ser demitido do grupo. Em seu lugar havia entrado Chester Bennington, vocalista do Linkin Park, que cometeu suicídio em 2017.

Apesar de ser um tom mais leve, com foco no violão, adotando o folk.rock, Perdida ainda traz a marca do bom e velho Stone Temple Pilots, que já havia feito sucesso com baladas como Creep e Interstate Love Song. Até mesmo os vocais seguem um padrão, mais evidente em canções como Fare Thee Well e You Found Yourself While Losing Your Heart.

Perdida é um álbum para ouvir só, em momentos de reflexão…ou quando estiver perdido por aí.


Ler > Mitologia Nórdica – Neil Gaiman

Por Maurília Gomes**

A dica desta semana vai para os amantes da bravura e das grandes histórias dos povos do norte: Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman, escritor e roteirista britânico consagrado por obras Deuses Americanos, Coraline e Sandman (banda desenhada), e um dos meus autores preferidos.

“A mitologia nórdica nos apresenta os mitos de um lugar gelado, com noites muito, muito longas no inverno e dias intermináveis no verão, mitos de um povo que não confiava plenamente em seus deuses ou nem sequer gostava deles, ainda que os respeitasse e temesse”, é assim que Gaiman apresenta o seu último livro, publicado em 2017.

Entre os personagens, alguns são velhos conhecidos como Odin – o Pai de Todos, o Senhor do Mortos, o deus da forca; Thor – filho de Odin, o forjador de trovões – e Mjölnir, seu martelo forjado por anões; Loki – o filho de gigante (criado como irmão de Odin), o Pai de Monstros, autor dos infortúnios, o deus da trapaça. Outros, apesar de não serem tão populares, possuem histórias interessantíssimas como Eir (médica dos deuses), Lofn (deusa dos casamentos), Sjofn (deusa do amor), Vor (deusa da sabedoria) ou os irmãos Freya (deusa da sexualidade, da fertilidade, da riqueza, da magia, da guerra e da morte, senhora das Valquírias) e Frey (deus da fertilidade e da prosperidade).

A partir de variadas fontes que se debruçaram sobre estes mitos, o autor contrói a sua própria versão da cultura nórdica em quinze contos, que partem do encontro do gelo com o fogo, a criação dos nove mundos: Asgard, Álfheim, Nídavellir, Midgard, Jötunheim, Vanaheim, Niflheim, Muspell e Hell; e culminam no Ragnarok, o crepúsculo dos deuses e renascimento de um novo tempo e de novas pessoas, o fim e o começo de tudo para o mundo escandinavo.

Excelente leitura para quem pretende conhecer a mitologia nórdica. Uma obra bastante envolvente, daquelas que começamos e não conseguimos parar, com contos que variam do trágico ao cómico, numa linguagem leve e simples.


* Giovanni Ramos é consultor de comunicação digital, investigador de jornalismo local e colaborador do Viva Covilhã na área de webjornalismo.
** Maurília Gomes é relações públicas, consultora de comunicação e colaboradora do Viva Covilhã na área institucional.

Giovanni Ramos

Pesquisador de media regionais, atua no jornalismo desde 2005. E-mail: web@redevivacidade.com