VivArte #2 – Halloween e feriado

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A VivArte – coluna com dicas para o final de semana do Viva Covilhã entrou no clima de halloween. Neste Dia das Bruxas são várias as festas para celebrar a data, mas não é só isso que acontece na Covilhã. O Festival de Teatro começa também nesta quinta-feira, no Teatro das Beiras.

Confira essas e outras dicas com Aline Grupillo. Abaixo, as dicas do que ler/ver/ouvir durante o feriado. Com a temática do Halloween, é claro!


Ler > O horror cósmico de H. P. Lovecraft

Por Maurília Gomes

Leitura essencial para quem curte o género horror, o estadunidense H.P. Lovecraft esbanja na construção de lendas e de um mundo que rejeita divindades e destaca a insignificância do humano. O escritor, que lança mão de elementos fantásticos típicos do género da fantasia e da ficção científica para contar suas histórias de terror, deu origem ao sub-género horror cósmico ou “cosmicismo”.

Lovecraft exagera nos detalhes para criar uma atmosfera sobrenatural envolta em mistério e ocultismo de forma angustiante e aterrorizante, com abuso de adjetivos como “terrífico”, “blasfemo”, “inominável” e outros. A fórmula lovecraftniana é de tal modo perturbadora que, não por acaso, a loucura humana é elemento de destaque em sua obra.

Além do terror psicológico, outra marca da escrita de Lovecraft é a narrativa em primeira pessoa. Um de seus contos mais conhecidos, Nas Montanhas da Loucura é narrada pelo geólogo William Dyer que testemunha eventos terríveis durante uma expedição científica realizada à Antártica. Esta não é a melhor história de Lovecraft – comparada a O Despertar de Cthulhu, O Medo à Espreita, A Sombra Sobre Innsmouth e outras -, mas vale a leitura, pois o autor dedica-se a explicar a colonização deste planeta por seres extraterrestres, muito antes da vida humana. Este aspecto é essencial para compreender os mitos de Cthulhu – panteão de monstros e seres fantásticos presentes em todo o universo lovecraftniano.

Howard Phillips Lovecraft, que foi influenciado pelo britânico Edgar Allan Poe, tornou-se um dos autores mais influentes do século XX. Sua obra inspirou toda uma geração de autores da ficção moderna, nomeadamente os escritores Stephen King, Neil Gaiman, Allan Moore, Anne Rice e os diretores John Carpenter, Ridley Scott e Guillermo del Toro.

Onde comprar


Ouvir > Marilyn Manson – Antichrist Superstar

Por Giovanni Ramos

Antes de fazer esta crítica, pensei em algumas trilhas sonoras de filmes de terror para recomendar no álbum da semana. Mas as trilhas eram aleatórias, traziam músicas normais. Precisava de um disco coeso, que assustasse o leitor no primeiro momento.

Nada melhor, então, que trazer um dos mais polémicos artistas do rock, especialmente no final da década de 90 e início dos anos 2000. Antichrist Superstar é o segundo terceiro álbum de Marilyn Manson e considerado por muitos da crítica como o seu melhor.

É, de fato, um disco pesado, muito bem trabalhado numa temática em que todo ele pode ser ouvido como uma grande música. O álbum inteiro se completa. Na verdade, ele é dividido em três partes: “O Hierofante”, “A Inauguração do Verme” e “A Ascensão do Desintegrador”, cada um deles representando uma fase da vida do cantor.

O título do álbum é provocativo às religiões, mas o foco das críticas nas letras de Antichrist Superstar é o que o artista considera a hipocrisia moral da sociedade ocidental.

Duas músicas merecem destaque: The Beautiful People, uma faixa mais pesada e rápida, em ritmo de marcha, que provoca a cultura da beleza na sociedade e Cryptorchid, essa sim uma música de terror: lenta e psicótica. Se você quer entrar no clima do Halloween mesmo, Antichrist Superstar é uma boa pedida.

ONDE OUVIR


Ver > Zombieland: Tiro Duplo é uma grande reverência aos fãs

Por Fábio Jardelino

Desde a semana passada está em exibição nos cinemas o filme Zombieland: Tiro Duplo, a continuação da saga lançada primeiramente em 2009. Mas o que podemos destacar desse filme é o enorme fan service que foi feito, uma espécie de reverência aos fãs.

O próprio título da produção já trás uma dica do que vai ser a proposta. Tiro Duplo (ou no título origial em inglês, Double Tap) faz uma analogia à lista de regras que os heróis devem seguir para conseguir sobreviver ao recente holocausto zumbi descrita ainda no primeiro filme.

Essas regras, inclusive, são abordadas de forma bem incisiva em ambos os filmes, por trazer uma inversão de papeis: enquanto no mundo em que vivemos o herói é um nerd, antissocial e metódico compulsivo, em Zumbilândia ele se torna um personagem decisivo entre sobreviver e virar comida de zumbi. São através dessas regras que ele consegue manter vivo a si próprio os seus amigos.

Dez anos depois da primeira aventura, os personagens principais Columbus (Jesse Eisenberg), Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin), continuam a sobreviver num mundo pós-apocalíptico, mas agora os zumbis não são a principal dificuldade do grupo e sim a relação conturbada e solitária que os quatro vivem.

Novamente dirigido por Ruben Fleischer, a trama trás um universo expandido com novos personagens e problemas. A presença dos zumbis e suas novas variações não são muito bem exploradas, ficando um pouco a desejar, se comparado ao primeiro filme. O diretor compensa essa falta, porém, com um humor inteligente e perspicaz, que agrada bastante e tem um rico repertório pautado em piadas auto referenciais e adventos do universo pop em geral.

É uma boa dica de filme para esse período de Halloween, principalmente aos saudosistas dos filmes de zumbi dos anos 2000.

*Fábio Jardelino é Jornalista, pós-graduado em Cinema e doutorando em Comunicação pela Universidade da Beira Interior.

 

Pesquisador de media regionais, atua no jornalismo desde 2005. E-mail: web@redevivacidade.com