VivArte #21 – Cinema e dicas para quem vai ficar em casa

Animação Bora Lá é o destaque da coluna Em uma semana tumultuada por notícias e

VivArte #21 – Cinema e dicas para quem vai ficar em casa
IMAGEM: Divulgação/Disney

Animação Bora Lá é o destaque da coluna

Em uma semana tumultuada por notícias e falsas informações sobre o Coronavírus, o Viva Covilhã resolveu trazer opções para quem vai ficar em casa no fim de semana. Na agenda cultural eletrónica, a dica é do cinema que continua a funcionar e segue em cartaz com a animação “Bora lá”, recém chegada aos grandes ecrãs.


VER > Sicko – Michael Moore

Por Giovanni Ramos*

Como seria viver em um país onde não há um sistema público de saúde, onde tudo é privatizado? O vencedor do Óscar de melhor documentário em 2002 por Bowling for Columbine, Michael Moore, tratou da saúde dos Estados Unidos em Sicko (2008).

O documentário não foca nos milhares de americanos que não possuem um plano de saúde privado e que sofrem quando são acometidos por alguma doença. A crítica de Moore está nos planos de saúde privados, que se mostram com sérios problemas para cuidar da saúde do país.

Por se tratar de um documentário e não uma grande reportagem, Moore deixa explícito seu posicionamento político a favor de uma política nacional de saúde pública para os Estados Unidos, assunto que começou a ser implantado por Barack Obama, mas que continua alvo de polémica.

Sicko critica o modelo atual americano com ironias e provocações polémicas para os americanos, como levar bombeiros que ajudaram no 11 de Setembro para receberem tratamento em Cuba.

O posicionamento político é claro e não unânime, mas abre-se um bom debate sobre políticas de saúde, ainda mais em um momento de pandemia global como vivemos agora.


Ver > Mulheres empilhadas – Patrícia Melo

Por Isabella Gonçalves**

O mês de março é marcado pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia oito. Justamente por tal característica, propõe uma reflexão acerca da violência contra a mulher, que ainda é alta a nível mundial. Dentro dessa temática, um livro que se destaca é o ‘Mulheres Empilhadas’, obra literária publicada em 2019 e escrita por Patrícia Melo, um dos principais nomes da literatura contemporânea brasileira. A autora é vencedora do Prêmio Jabuti de Literatura com a obra Inferno. Novamente, ela se destaca. Dessa vez, com um enredo que dá diversos “tapas na cara”.

O livro possui uma narrativa que envolve o leitor e, quando ele percebe, já não consegue parar de ler. Estilo de escrita que prende e, ao mesmo tempo, tira o fôlego, com trechos realistas, que poderiam ter sido tirados de páginas de jornais ou ouvidos na televisão. Trata-se de uma obra de literatura, mas tão verossímil, que, por vezes, é fácil que o leitor se esqueça, durante a leitura, de que se trata de ficção. Mas tal como a arte e a vida se complementam, o livro se faz necessário, justamente por trazer, em suas páginas, uma realidade que merece ser confrontada a todos os dias: o feminicídio. A temática, na obra, não recebe eufemismos e escancara o fato de que “na hora de assassinar uma mulher, qualquer objeto é arma” (Melo, 2019, posição 119, Kindle Edition).

O romance aborda o dia a dia de uma advogada que, após ser agredida pelo namorado, resolve embarcar em um avião com destino ao Acre, Norte do Brasil, para realizar um trabalho para a sua chefe. A tarefa era pesquisar e arquivar casos de feminicídio no estado. Ao lá chegar, percebe o quanto a vida de mulheres indígenas era subjugada, assim como o quão ineficiente era o sistema judiciário. No estado, a protagonista tem a chance de refletir sobre a sua própria história e traumas, que começaram ainda na infância, quando a sua mãe foi vítima de feminicídio, tendo sido morta pelo pai. Ali, longe do ex-namorado e da família, teve a chance de se fortalecer, ao mesmo tempo em que se deparou com a morte tão de perto, diante dos casos que se multiplicavam e a chocavam.

O livro traz a reflexão importante acerca do machismo estrutural, que oprime a mulher todos os dias. Esse mesmo machismo é responsável por também provocar mortes, diante de relacionamentos abusivos, homens violentos e de uma naturalização dessa mesma violência.

OUÇA UM TRECHO DO LIVRO NA VOZ DE ISABELLA GONÇALVES


Ouvir > Viza

Por Giovanni Ramos*

Género musical contemporâneo capaz de fundir-se com outros estilos, o rock costuma fazer ótimas combinações com músicas de origem folk de diversos países. O grupo arménio-americano Viza consegue essa proeza, ao unir o folk do Leste Europeu com o rock dos Estados Unidos.

O grupo foi formado em Los Angeles, mas os integrantes, em sua maioria, têm origens na Arménia, país que sofreu uma grande diáspora no início do século XX, após um o genocídio promovido pelo governo otomano. O estilo musical combina as guitarras e baixos com instrumentos folk como o duduk, uma flauta comum no Médio Oriente e Leste Europeu.

A banda ganhou renome internacional após a participação de Serj Tankian, vocal do System of a Down (outra banda arménio-americana). Tankian produziu um álbum, gravou uma música e levou o grupo para apresentar junto em uma turnê internacional.


* Giovanni Ramos atua no jornalismo desde 2005 e é estudante de doutoramento em Comunicação na UBI.
** Isabella Gonçalves é estudante de doutoramento em Comunicação na UBI.

Redação Viva Covilhã

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