VivArte – O que ver/ouvir/ler nesta semana

Viva Covilhã trará semanalmente dicas de livros, filmes, séries e músicas O Viva Covilhã lançou

VivArte – O que ver/ouvir/ler nesta semana
Sugestões da semana. FOTOS: reprodução

Viva Covilhã trará semanalmente dicas de livros, filmes, séries e músicas

O Viva Covilhã lançou nesta semana a Agenda Eletrônica com dicas do que fazer na região no final de semana. Mas se você quiser ficar em casa no final de semana, também vamos dar dicas.

O VivArte estreia com dicas e críticas culturais. E você também pode fazer parte deste projeto. Se você tem uma crítica de um filme, série, livro ou disco para fazer, deixe seu contato pelo Facebook (comentando abaixo) ou envie um email para vivacovilha@gmail.com. Você pode falar conosco ainda pelo telemóvel 910 819 705 (Giovanni).

Confira as críticas:

Joker: o melhor filme de 2019 já é um clássico do cinema

Por Fábio Jardelino*

Ainda em exibição nos cinemas mundo afora, o filme Joker já é considerado por críticos – inclusive esse que vos escreve – o filme do ano. Durante os seus 122 minutos, não há uma única cena em que as sutilezas metafóricas não sejam perceptíveis. E a principal está justamente por trás da singela maquiagem de palhaço, que esconde a assustadora luta interna por uma nova percepção de realidade.

A competencia performática de Joaquin Phoenix como Joker o coloca em par de igualdade com os antecessores Jack Nicholson e Heath Ledger. Não há, porém, como afirmar quem é melhor – o famoso vilão tem várias facetas desenvolvidas nos quadrinhos e, representando cada uma delas, esses três atores cumpriram seus objetivos.

O Joker de Phoenix nada se parece com o representado no filme O Cavaleiro das Trevas – e nem deveria. Enquanto o anterior trazia um perfil anarquista claramente baseado no HQ Piada Mortal, o atual dramatiza o Joker psicopata da edição Asilo Arkham escrita por Grant Morrison. No começo do filme, Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) é apenas um homem atormentado pelas mazelas da vida, mas ao fim é o facínora que habita seu corpo.

Percebemos essa mudança de forma clara, a começar com o rítimo do filme imposto pelo diretor Todd Phillips. A cada minuto que se passa, é acentuada a evolução do personagem, intuando assim o crescimento das distorções que aos poucos vão transformando o seu caráter. O espectador vai junto nessa evolução, seja na agustia causada pela risada incontrolável de Fleck, ou na aflição que Gotham City e seu ambiente pouco atrativo cria.

Finalmente, o filme funciona como um estímulo para a reflexão da nossa própria realidade. Qual a natureza de alguém que apesar de estar sempre com um sorriso pintado no rosto, não tinha nenhum motivo real para ser feliz.

EM EXIBIÇÃO: Cinema do Serra Shopping

*Fábio Jardelino é Jornalista, pós-graduado em Cinema e doutorando em Comunicação pela Universidade da Beira Interior.

Madame X: diversidade musical e crítica social

Por Maurília Gomes

O mais recente álbum da Madonna, 14º da carreira, Madame X é um trabalho dançante e sensível, mas não é fácil de ouvir e talvez seja este o motivo de ter ser avaliado, em algumas resenhas críticas, como um “álbum satisfatório”.

Madame X é um trabalho dançante influenciado pela vivência da cantora em Portugal – baseada em Lisboa desde 2017 – com a presença de sonoridades diferentes, como as guitarras portuguesas e o batuque africano. Madonna arrisca ritmos e estilos musicais para além da caixa e também se aventura a cantar em português.

A sensibilidade do disco, que tem 1 hora e 5 minutos, dividido em 15 faixas, é demarcada com letras que exigem do ouvinte uma busca pelos múltiplos sentidos presentes. Exemplo disso são as faixas Dark BalletGod Control e Killers Who Are Partying que trazem homofobia, xenofobia, machismo, controle de armas e assassinatos em massa e outros problemas sociais para o centro da discussão com uma mistura rítmica que alterna batidas disco e eletrônica com uma musicalidade lírica. Um verdadeiro soco no estômago.

Com 36 anos de carreira, a cantora conhece bem o mercado da música e está sempre antenada. Por isso, não é novidade para ninguém as parceiras com Maluma, Swae Lee, Quavo e a brasileira Anitta nas faixas mais leves do disco. A surpresa, neste quesito, fica por conta da Orquestra de Batukadeiras de Portugal, grupo de percussionista caboverdiano que acompanha a rainha do pop em uma de faixas mais gostosas de ouvir de todo o álbum: Batuka.

E assim, Madonna segue mostrando porque é “a dona da porra toda” e Madame X merece reconhecimento pela ousadia e diversidade. A Madame X Tour – iniciada em seu país natal e com o primeiro show em Nova Iorque, no último 17 de setembro – chegará a Portugal em 2020 e tem previstas oito (12 a 23 de janeiro) apresentações no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Agende-se!

DISPONÍVEL EM: Spotify e outras plataformas de streaming.

Reprodução aborda o submundo das fake news

Por Giovanni Ramos

Um estudante brasileiro encontra sua professora de chinês no aeroporto. As autoridades desconfiam que a professora pode junto ao tráfico de drogas e por isso o estudante é levado para depoimento.

O diálogo entre o estudante e as autoridades no depoimento é a base central do romance “Reprodução”, do autor Bernardo Carvalho, um dos grandes expoentes da literatura brasileira atual. Em Reprodução, Bernardo explora um personagem paranoico, que acredita em todas as teorias da conspiração possíveis.

Tente conversar com um cidadão fanático político (independente do lado), que acredita em todas as teorias e fake news possíveis. Este é o personagem principal do romance, que complica a sua vida pelas palavras que produz.

Reprodução é uma obra necessária para ser lida e discutida em tempos de fake news e pós-verdade no mundo. Com uma forma diferente de contar histórias, Carvalho revela com leve humor, o submundo das notícias falsas na internet.

A VENDA: Livraria Bertrand

Giovanni Ramos

Pesquisador de media regionais, atua no jornalismo desde 2005. E-mail: web@redevivacidade.com