Vivarte #18 – em ritmo de carnaval

Dicas culturais em festa. Para quem não gosta, também temos dicas

Vivarte #18 – em ritmo de carnaval
FOTO: Divulgação

Dicas para quem gosta da folia e para quem quer fugir dela.

O carnaval está a chegar e o VivArte está em ritmo de festa. O portal Viva Covilhã já apresentou a programação de carnaval do concelho e também da região. Dessa vez são as dicas culturais que entram no tema.

Para quem quer fugir da folia, a atração da agenda cultural eletrónica são as artes plásticas. Confira.

Ver > Orfeu (1999)

Por Maurília Gomes*

O Carnaval está a chegar… E para marcar a data, decidi indicar o filme Orfeu (1999), dirigido por Cacá Diegues, um dos fundadores do Cinema Novo – movimento cinematográfico que destaca-se pela ênfase na contestação social.

O filme é baseado na peça teatral escrita por Vinícius de Moraes – e musicada por Antonio Carlos Jobim – Orfeu da Conceição (1954) que transpõe a tragédia grega de Orfeu e Eurídice para a realidade das favelas cariocas, que já havia sido adaptada para a o cinema por Marcel Camus em Orfeu Negro (1959), filme ítalo-franco-brasileiro, que é considerada a obra que apresentou a Bossa Nova para o resto do mundo.

Na versão de Diegues, Orfeu é um popular compositor de uma escola de samba no Rio de Janeiro. Eurídice, uma jovem recém-chegada ao Morro da Carioca, favela em que vive Orfeu e o resto do elenco, incluindo Mira, a namorada que não aceita ser trocada por Eurídice.

Apesar de ter o estreante Tony Garrido (vocalista da banda de reggae Cidade Negra) no papel de protagonista, o elenco consegue ser equilibrado com atuações de atores já consagrados como: Zezé Mota e Milton Gonçalves nos papeis de pais de Orfeu, Patrícia França como Eurídice, além de Stepan Nercessian, Isabel Fillardis e Murilo Benício.

Aliás, o elenco reflete a mistura étnico-racial da população brasileira, que foi motivo de muitas críticas ao filme de Camus por apresentar um visão estereotipada de favela como um lugar habitado apenas por negros. Também merece destaque a excelente cenografia, assinada por Ana Anet, que permite uma visão mais verdadeira possível da realidade das favelas cariocas.

Ler > O país do carnaval, de Jorge Amado

Por Giovanni Ramos*

Das expressões artísticas, a literatura sempre soube retratar com fidelidade os sentimentos de uma sociedade, de uma geração, sendo imprescindível para compreendermos a história. Às vésperas do carnaval e em um período onde o Brasil passa por crises e questionamentos sobre o seu futuro, a obra O País do Carnaval, de Jorge Amado, merece ser lida ou relida.

Trata-se do primeiro romance de um dos escritores brasileiros mais conhecidos no mundo e autor do livro nacional com maior número de cópias no planeta: Capitães de Areia. Tema deste texto, O País do Carnaval foi publicado quando Jorge Amado tinha apenas 19 anos.

Se a literatura ajuda a compreender a história, é preciso de um pouco de história para compreender porque O País do Carnaval foi escrito. A obra é de 1930, um ano marcado pela forte depressão económica, resultado da crise mundial de 1929, que derrubou as oligarquias do café e permitiu a ascensão de Getúlio Vargas, que só deixaria o poder em 1945.

É neste contexto que o personagem principal, Paulo Rigger, está inserido. De volta ao Brasil, depois de anos a viver em Paris, Rigger chega pelo Rio de Janeiro, em pleno carnaval, onde se surpreende com a alegria da festa em meio a um período conturbado politicamente (o Rio de Janeiro era a capital do país).

O primeiro romance de Jorge Amado possui um tom crítico ao Brasil, com o autor a questionar alegria x crise. As demais obras de Amado provam que o autor reviu seus conceitos, mas a sua leitura é importante para entender porque o carnaval brasileiro é tão atacado por parte da população nos dias de hoje, especialmente no Rio de Janeiro.


Ouvir > Elétrica – Daniela Mercury

Por Maurília Gomes*

Daniela Mercury é, sem dúvidas, uma das grandes referências da música brasileira. Aos quinze anos de idade iniciou sua carreira de cantora profissional e com a mesma idade subiu em um trio elétrico durante o Carnaval da Bahia, ainda como backing vocal da Banda Eva.

Seu primeiro álbum Daniela Mercury foi lançado em 1991 e emplacou as canções Swing da Cor e Menino do Pelô, ambas com participação do bloco afro Olodum. No ano seguinte, o seu grande sucesso com o lançamento de O Canto de Cidade, que rendeu milhões de discos vendidos.

Mas, esta semana, quero indicar Elétrica – o primeiro álbum ao vivo da artista – lançado em 5 de outubro de 1998. O álbum recebeu disco de platina por mais de 500 mil cópias vendidas. Além dos sucessos já citados, traz versões ao vivo de Rapunzel, Trio Metal, Música de Rua, Feijão de Corda e outros que fazem uma pessoa levantar e dançar um bocado. Experimente!

* Maurília Gomes é relações públicas brasileira e estudante de doutoramento em Comunicação na UBI.
* Giovanni Ramos é consultor de comunicação digital e estudante de doutoramento em Comunicação na UBI.

Redação Viva Covilhã

Entre em contato com a redação do Viva Covilhã | jornalismo@redevivacidade.com