Atrações culturais para apreciar sem sair de casa

Confira dicas do que ver/ler/ouvir/ desta semana

19 de Março de 2020
Atrações culturais para apreciar sem sair de casa

Com a pandemia do coronavírus, a orientação das autoridades em saúde é para que as pessoas fiquem em casa e só saiam quando necessário. O VivArte apresenta, então, dicas culturais de leitura, vídeos e músicas para curtir junto com a família, em suas residências.

VER > Rick and Morty: a animação para adultos

Por Isabella Gonçalves*

Nos momentos de quarentena, resta a dúvida sobre o que fazer, ao certo, para ocupar o tempo. Trata-se de um período em que, somado ao home office e ao estudo, você pode finalmente se entregar a um ócio criativo e assistir ou ler, enfim, tudo aquilo para o qual não havia tempo. O tempo é um recurso escasso e lutamos sempre contra ele. Mas, no momento em que ele é demasiadamente longo, parece que há um paradoxo: ficamos paralisados. Parece que nos resta culpa de se entregar a um hobby. Por isso, o Viva diz logo: deixe disso! É tempo para não sentir culpa de se entreter.
Entre os adultos, fica sempre um resquício de julgamento. Separa-se o que é de criança e de adulto. Para os miúdos, ficam brincadeiras, desenhos animados e livros infantis, sem esquecer as atividades da escola, afinal, não estão em férias. E aos já crescidos, existe quase uma lista de restrições. Isto é bobagem. Durante um estado de calamidade, deixemos tais regras sociais subentendidas de lado. Já existem muitas restrições.

Então, entregue-se a um desses géneros que poucos adultos se dão ao luxo de assistir: a animação. Rick and Morty é uma série animada que já possui quatro temporadas, tendo a última delas sido lançada ainda ao final de 2019 e início de 2020. Com críticas sociais afiadas, um humor ácido e referências inteligentes, trata-se de uma série destinada aos adultos. Crianças não a compreenderiam. E, justamente por se tratar de uma animação de ficção científica, ela tem a liberdade para, em diversos momentos, se entregar ao surrealismo e ao absurdo. Tudo isso faz parte da cena e torna tudo mais rico.

É uma série indicada, especialmente, para aqueles que gostam de humor ácido e, em diversos momentos, cruel. E tal crueldade está, na realidade, na forma como, mesmo diante de todo o surrealismo, ela é tão verossímil, por se relacionar, o tempo inteiro, com as questões sociais pós-modernas. Disponível na Netflix, trata-se de uma excelente série para ser maratonada. Os episódios curtos deixam sempre um gostinho de quero mais e, quando se dá por si, o espectador já está diante de uma nova temporada. Mas, infelizmente, tal como as melhores coisas do mundo, há sempre a finitude. E, ao final da quarta temporada, você pode, mais uma vez, contar com o Viva para novas indicações.

Onde ver: Netflix


Ouvir > Faith no More – Sol Invictus

Por Giovanni Ramos**

O grupo americano Faith no More é uma das grandes atrações do NOS Alive, evento agendado para julho deste ano, que ainda não foi adiado ou cancelado pelos organizadores, que mantém a esperança de uma normalização até a data. Com ou sem NOS Alive, vale a pena conhecer a banda, que lançou seu último álbum em 2016.

Sol Invictus foi lançado 19 anos depois do seu anterior, Album of The Year. A banda ficou inativa entre 1998 e 2009. O Faith No More retornou com músicas inéditas, em um álbum exótico, pouco pop, que lembra muito os trabalhos solos do vocalista do grupo, Mike Patton.

Algumas músicas, como Superhero e Sunny Side Up trazem o Faith no More que ficou conhecido nos anos 1990. Um som mais pesado, com um vocal peculiar. Em Motherfucker, o vocal puxando para o hip hop, uma característica do Faith no More no início da carreira, retorna.

Canções como Black Friday e From the Dead fogem totalmente do padrão pop, mas possuem qualidade e merecem a atenção de quem for escutar o álbum. Em From the Dead, há o uso do violão, um instrumento pouco comum no Faith no More.

Onde ouvir: Spotify


Ler > A Catedral do Mar – Ildefonso Falcones

Por Giovanni Ramos**

O sucesso de La Casa de Papel fez explodir séries espanholas no Netflix e em outras plataformas de streaming. Uma delas, A Catedral do Mar, é baseada em um romance homónimo do escritor espanhol Ildefonso Falcones.

Ambientada na Catalunha durante a idade média, A Catedral do Mar é uma jornada do herói clássica que tem como background a construção da Igreja de Santa Maria do Mar em Barcelona.

O protagonista do romance é Arnau Estanyol, filho de um camponês que fugiu para Barcelona para sair da tirania do senhor feudal. Arnau perde o pai ainda criança e é criado junto à igreja, colaborando na construção do templo de origem popular.

A Catedral do Mar utiliza clichês de aventura, mas ambienta bem uma metrópole medieval sem glamour, mostrando as sujidades e os problemas da cidade. Falcones também mostra a relação dos judeus com a sociedade da época e os conflitos entre nobreza e igreja no fim da idade média.

Como ler: disponível para compra na Fnac em livro físico ou ebook.


* Isabela Gonçalves é estudante de doutoramento em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior e escreve como voluntária.
* Giovanni Ramos é consultor de comunicação, investigador e um dos criadores do Viva Covilhã, atuando no jornalismo desde 2005.