Dicas para o Dia Mundial do Livro

A literatura celebrada do cinema à música internacional

23 de Abril de 2020
Dicas para o Dia Mundial do Livro

O dia 23 de abril é uma data marcante para a literatura no mundo, dia em que o romacista espanhol Miguel de Cervantes e o dramaturgo inglês William Shakespeare morreram. Esta data foi, inicialmente, celebrada pelos espanhóis e desde 1995, é o Dia Mundial do Livro de acordo com a a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A coluna VivArte desta semana poderia ser inteira de livros, mas vamos manter o nosso padrão. O livro estará em destaque em todas as obras a seguir.

E você? Qual livro recomenda neste dia?


Ler > Trem Noturno para Lisboa – Pascal Mercier

Por Giovanni Ramos
Co-criador do Viva Covilhã

São muitos os romances em que o personagem principal é um escritor, mas para esta data, a obra escolhida não é sobre alguém que escreve e sim que lê. O protagonista é Raimundus Gregorius, um professor de idiomas antigos que, após salvar uma mulher portuguesa que se jogaria de uma ponte em Berna, Suiça, encontra um livro do médico português Amadeu do Prado no casaco da mulher.

Gregorius abandona tudo e decide pegar um trem noturno para Lisboa, cujo ticket também estava no casaco e começar uma viagem como investigador sobre o passado do médico e escritor português.

A história de Gregorius mistura-se com a de Prado ao longo do romance, com capítulos onde o leitor é levado para o livro dentro do livro, revelando misterioso personagem português. Best-seller com adaptação ao cinema, Trem Noturno para Lisboa é uma obra de Pascal Mercier, pseudónimo do filósofo suiço Peter Bieri.


Ver > O Livro de Eli

Por Isabella Gonçalves
Doutoranda em Comunicação na UBI

O livro de Eli está disponível na Netflix e é um filme para todos os gostos. Com atuação excelente de Denzel Washington, a história se passa em um cenário pós-apocalíptico, após o mundo ser praticamente destruído devido a uma guerra nuclear.

Sem livros, instituições públicas, fábricas ou mesmo produtos que antes eram considerados básicos, os seres humanos precisam sobreviver de maneira bárbara, encontrando comida onde é possível e adotando métodos considerados questionáveis para sobreviver.

Um dos personagens, entretanto, organiza uma cidade e vira uma espécie de governante. Obcecado, utiliza toda a sua mão-de-obra para tentar encontrar um livro específico, a Bíblia. De acordo com ele, trata-se de um meio necessário para controlar as pessoas e, assim, expandir o seu projeto, por meio da construção de novas cidades.

O filme, assim, demonstra o poder do mito, da religião e, mais do que tudo, dos livros, já que justamente devido à falta deles, o mundo não consegue voltar a ser como era antes.


Ouvir > Músicas inspiradas em romances e poemas

Por Giovanni Ramos
Co-criador do Viva Covilhã

Há músicos, como Salvador Sobral, que usam poemas literários inteiros para uma canção, como Presságio, de Fernando Pessoa. Outros, apenas se inspiram na literatura para suas músicas. Trazemos uma lista de canções inspiradas em obras literárias.

1984 – David Bowie – O principal romance de George Orwell foi a inspiração para o músico inglês, que fez uma canção com o mesmo nome da obra literária.

Don’t Stand So Close To MeThe Police – A tradicional banda de rock inglesa gravou uma música inspirada no romance Lolita, do escritor russo Vladimir Nabokov.

Pet SemataryRamones – A banda de punk rock americano não apenas fez uma música para o romance Samitério de Animais, do escritor americano Stephen King. A canção foi a trilha sonora para a adaptação da obra aos cinemas.

Misty Mountain Hop – Led Zeppelin – Os ingleses liderados por Jimmy Page e Robert Plant possuem algumas canções inspiradas nas obras de J.R.R. Tolkien. A canção indicada faz referência a obra O Hobbit.

Another brick in the wall (parte II) – Pink Floyd – A mais famosa canção do mais famoso álbum do Pink Floyd também tem inspiração literária, no caso, o poema Mending wall do americano Robert Frost.

Amor, I Love You – Marisa Monte – A artista brasileira inspirou-se na obra O primo Basílio, de Eça de Queiroz, para um dos seus maiores hits.

Monte Castelo – Legião Urbana – A icónica banca de rock brasileira usou trechos de Os Lusíadas de Camões para uma de suas canções.

Fernando Pessoa Blues – Velhas Virgens – Marcada por letras debochadas, o grupo Velhas Virgens se inspirou no Poema em Linha Recta, de Álvaro de Campos, para uma de suas músicas mais críticas.


  • Giovanni Ramos atua no jornalismo desde 2005 e é estudante de doutoramento em Comunicação na UBI.
    ** Isabella Gonçalves é estudante de doutoramento em Comunicação na UBI e escreve como voluntária para o Viva Covilhã.